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    CARROS

    Por Angélica Bito
    30/06/2006

    Dar forma e alma a histórias fantásticas é uma das especialidades dos estúdios Pixar desde a primeira vez que lançaram um longa-metragem de animação, Toy Story, em 1995. Dez anos depois de marcar para sempre a indústria cinematográfica em parceria com a Disney, o nome "Pixar" significa qualidade em animação digital. Por isso, não é de se estranhar a ansiedade que sempre acompanha os lançamentos de seus novos filmes. Carros é seu sétimo longa-metragem de animação e segue confirmando que, nessa área, não tem para mais ninguém.

    Aqui, o diretor John Lasseter (Toy Story) mergulha completamente num universo pelo qual confessa ser apaixonado: os carros. São eles os protagonistas desta imperdível animação. No centro da trama está Relâmpago McQueen (dublado por Owen Wilson na versão original), um carro de corrida estreante e ambicioso. Destaque nas pistas em busca do titulo máximo da Copa Pistão, ele disputa o troféu com outros dois carros, muito mais experientes do que ele. O Rei (dublado na versão original por Richard Petty, heptacampeão da NASCAR) é uma lenda nas pistas e está prestes a se aposentar. Chick Hicks (voz de Michael Keaton na versão original) está de olho na mesma posição que Relâmpago: a de novo queridinho das pistas.

    A caminho de Los Angeles para a corrida que pode lhe dar a tão sonhada Taça Pistão, Relâmpago se perde e vai parar na pacata cidade de Radiator Springs, à beira da famosa Rota 66 - percorrida pelos protagonistas de Sem Destino (1969). McQueen fica preso ao local depois de provocar um grande acidente que destrói a estrada que cruza a cidade. Relutante, ele permanece na cidade e, com o tempo, faz amizade com os residentes locais, como a bela Porsche Sally (dublada por Bonnie Hunt na versão original e por Priscila Fantin na brasileira), Doc Hudson (dublado por Paul Newman na versão original e por Daniel Filho na brasileira) e o velho e simpático reboque Mate, que o ajudam a ver que há coisas mais importantes que troféus, fama e patrocínios.

    Carros é como um bolo de aniversário que a Pixar se deu para comemorar os dez anos desde que seu primeiro longa foi lançado. Há diversas referências aos outros filmes do estúdio - culminando nas imperdíveis cenas que aparecem durante os créditos finais. Assim como as outras animações da Pixar, podemos encontrar uma história envolvente, desenvolvida por um roteiro melhor ainda. A história mostra o embate entre o novo e o velho; carros de corrida com decalques versus os "normais", com ferrugens e história; a individualidade, conseqüência do estilo de vida moderno, contra o espírito de coletividade tão perdido quanto a cidade de Radiator Springs do filme.

    Também não faltam os personagens carismáticos, com os quais o espectador pode, sim, se identificar - por mais que sejam apenas carros - e, claro, a qualidade visual. A primeira cena, na qual o ponto de vista que seria da câmera está dentro da pista de corrida, é perfeita. Todos os detalhes, os ângulos, fazem com que o espectador se sinta como se fosse um dos carros competindo. Ao mesmo tempo, existe esse cuidado com cada pedra, cada grão de areia que o protagonista encontra em sua epopéia pela Rota 66 - resultado de uma extensa pesquisa feita pelos animadores de Carros. Por isso, esta produção significa que a técnica dos estúdios Pixar evolui a cada nova produção, como sempre, agradando aos pequenos e aos seus pais de maneiras diferentes, mas satisfatórias em ambas as situações.

    Uma curiosidade: o sobrenome do personagem Relâmpago McQueen é uma homenagem a Glenn McQueen, animador da Pixar falecido em 2002. Inclusive, é para ele que os animadores dedicam o filme antes dos créditos subirem. E não chegue atrasado à sessão: o curta-metragem que antecede Carros, Banda de um Homem Só, é maravilhoso.