cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    CARROSSEL, O FILME

    Repetitivo demais, filme tropeça em situações forçadas
    Por Pedro Tritto
    22/07/2015

    Mesmo deixando de lado alguns temas importantes que Carrossel procurou discutir, como racismo e desigualdade social, é interessante ver que a adaptação cinematográfica da versão brasileira da novela, dirigida por Mauricio Eça e Alexandre Boury, pelo menos, tentou manter as principais características dos personagens.

    Apesar dos atores estarem mais velhos (a novela acabou em julho de 2013), ainda é possível ver a ingenuidade e a paixão platônica de Cirilo (Jean Paulo Campos) pela metidinha Maria Joaquina (Larissa Manoela), as armações de Paulo (Lucas Santos) e Kokimoto (Mateus Ueta), e o sentimentalismo exagerado de Laura (Aysha Benelli) comandando as ações da trama.

    Pena que as virtudes do longa param por aí. E não é porque a história carrega um tom infantil e, sim, por tropeçar várias vezes em um tom bobo demais, deixando diversas situações forçadas e transformando elementos importantes da trama em algo caricato ao extremo.

    E muito disso ocorre por causa da preocupação excessiva da dupla de diretores em não somente mostrar os fatos, mas também em explicar tudo o que está acontecendo em volta dos personagens. Para eles, é visível que é de fundamental importância que o protagonista diga que o acampamento é a sua vida, que o vilão deixe claro que odeia crianças e que todos (não importa a idade) precisam de um amigo para as horas difíceis.

    Nada contra a essas mensagens. Pelo contrário, elas são importantíssimas, ainda mais em um longa infantil, mas no caso de Carrossel, O Filme, não era necessário ter essa preocupação excessiva de explicar esse tipo de coisa, já que essas são questões que se apresentam de maneira óbvia e natural nesse tipo de contexto. O fato é que esse exagero é ruim, pois deixa a trama redundante e cansativa ao mesmo tempo.

    A história é bem simples e começa com os alunos da Escola Mundial fazendo a contagem regressiva para as férias. Sem a presença da querida professora Helena (Rosanne Mulholland), que está ausente por causa de uma gravidez, as crianças são chamadas para conhecerem o acampamento Panapaná, que pertence ao Sr. Campos (Orival Pessini), avô de Alícia (Fernanda Concon).

    Acompanhados pela diretora Olívia (Noemi Gerbelli) e pela faxineira Graça (Marcia De Oliveira), Cirilo, Maria Joaquina, Paulo, Daniel, Valéria, Jaime e companhia embarcam para uma série de aventuras no local. No entanto, tudo começa a mudar quando Gonzalez (Paulo Miklos) e Gonzalito (Oscar Filho) chegam no pedaço. Loucos para comprarem as terras que pertencem ao Sr. Campos para construir uma fábrica, a dupla decide usar todos os artifícios possíveis para sabotar as atividades das crianças.

    Na tentativa de compensar os erros, Eça e Boury deixa o desenvolvimento dos personagens mirins bem distribuído, o que é bom para os fãs que acompanharam a novelinha do início ao fim. Assim, todos os alunos mais conhecidos têm o seu momento de destaque e de diversão no filme. Nesse ponto, vale destacar as atuações de Larissa Manoela, que traz de maneira segura a típica garotinha da cidade que não combina com a vida do campo, pois não quer manchar a maquiagem e sujar a roupa, e Lucas Santos que, mesmo mais velho, consegue transmitir o mesmo espírito arteiro de Paulo, visto na televisão anteriormente.

    De maneira geral, Carrossel, O Filme é repetitivo, cansativo e infantil demais para os mais velhos (até para aqueles que cresceram assistindo a versão original mexicana, transmitida no Brasil na década de 1990). Em contrapartida, o longa deve atender as expectativas do público mais novo, principalmente as crianças que estavam morrendo de saudade da versão brasileira dos alunos da Escola Mundial.