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    CARTAS PARA JULIETA

    Amanda Seyfried interpreta jornalista que descobre o significado do amor em paraíso italiano<br />
    Por Heitor Augusto
    10/06/2010

    Todos os tiques cômicos que o diretor Gary Winick havia exagerado em Noivas em Guerra, felizmente, conseguiu atenuar em sua nova comédia água com açúcar, Cartas Para Julieta. O tema? O amor, como sempre.

    Como o forte de Winick não é a reflexão, mas sim a emoção, o filme protagonizado por Amanda Seyfried apresenta o amor como um higienizador de todos os problemas do mundo. Cinema de manipulação – se é que dá para trabalhar com um conceito assim – é um pacto entre a crença do espectador com o que está na tela e da capacidade do filme manter a “mentira”. Assistir a um filme de Winick demanda uma filiação ainda maior ao pacto da mentira.

    Se você estiver em um dia tolerante, de bom humor e pronto para um mundo no qual tristeza não tem vez, Cartas Para Julieta pode ficar bem melhor do que ele é. Isso porque Winick fica na fronteira entre derrubar o pote de mel sobre sua história ou adicionar doses pontuais de doçura no filme.

    Na maioria do tempo, consegue se controlar, afastando a câmera nos momentos necessários, mantendo o respeito aos personagens. Pesam a seu favor um argumento interessante, locações paradisíacas e a participação de dois monstros do cinema, Vanessa Redgrave (ainda deslumbrante aos 73 anos) e Franco Nero, o astro dos western spaghetti (e extremamente charmoso com 68 anos).

    Cartas Para Julieta é uma jornada de descobrimento para todos os personagens. A começar por Sophie (Amanda Seyfried), que trabalha apurando fatos, mas almeja tornar-se uma jornalista da revista The New Yorker. Ela viaja para Verona em Lua de Mel com Victor (Gael García Bernal) e, inesperadamente, conhece a Casa de Julieta: mulheres de todo o mundo vão para lá depositar bilhetes sobre o amor (seja a presença ou a falta dele). Quem responde as cartas são as Secretárias de Julieta.

    Sophie precisa da viagem para entender se o amor está realmente no seu coração. Victor, por sua vez, tem várias descobertas profissionais. Charlie (Christopher Egan) precisa provar que não tem uma pedra em vez de um coração. Do outro lado, Claire (Redgrave) e Lorenzo (Nero) buscam recuperar o passado.

    Cada um com seu objetivo, todos envolvidos direta ou indiretamente nos paraísos da região de Toscana, como Siena e Florença.

    Como toda comédia romântica padrão, tudo acaba bem para todo mundo – até mesmo para os que ficam sós. Os méritos de Cartas Para Julieta estão muito antes do final. Eliminando o desfecho esperado, o filme de Winick distribui um astral boa-vida sem derrubar um pote de mel.