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    CASA DE AREIA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Andrucha Waddington é um dos maiores nomes do cinema de sua geração. Aos 35 anos, é sócio de uma das principais produtoras do Brasil e assina produções de sucesso, como Eu, Tu, Eles (2000). Agora ele apresenta seu novo filme, o épico Casa de Areia, mostrando a saga de uma família de mulheres nos Lençóis Maranhenses em um período que abrange 59 anos.

    A saga começa em 1910. Áurea (Fernanda Torres), casada com Vasco (Ruy Guerra), é praticamente arrastada por ele para os Lençóis Maranhenses a fim de recuperar uma terra que seria dele. No meio daquela areia branca e infinita, ela é obrigada a viver, também ao lado da mãe, a Dona Maria (Fernanda Montenegro) em uma terra que ele teria comprado. No meio do nada, ele constrói uma casa, mas o desejo de Áurea é sair daquele lugar. Grávida, ela não acredita que é o melhor ambiente para criar uma criança. Quando Vasco morre, ela e Dona Maria se encontram presas no meio de tanta areia e é aí que começa a luta dessas mulheres para conseguir sobreviver. Dona Maria sai à procura de um pequeno povoado originário de um antigo quilombo, onde só vivem negros. E assim conhece Massu (Seu Jorge), que virá a ser o grande companheiro das duas.

    As duas Fernandas, mãe e filha, se revezam nos papéis, mostrando por que ocupam papel tão importante na dramaturgia brasileira. Juntas, são um espetáculo, e quanto a isso não há o que contestar. Mais de RS$ 8 milhões foram gastos na produção do filme, que chegou a mudar a estrutura da pequena cidade maranhense de Santo Amaro. As locações são lindas, muito bem aproveitadas pelo diretor de fotografia Martin Trujillo. No elenco, a mais festejada atriz do cinema nacional. Onde o filme peca, afinal? Basicamente, no roteiro que, ao valorizar as imagens ao diálogo, é tão consistente quanto as areias dos Lençóis Maranhenses. Com o perdão do quase-trocadilho, é muita areia para pouca ação. Apesar de se sustentar sobre uma história interessante, o roteiro de Casa de Areia é desenvolvido de forma lenta, tediosa. Os cortes de tempos são confusos e só começam a ganhar mais corpo no final da película. A montagem, de cortes bruscos, incomoda ao invés de situar o espectador.

    Dói meu coração ao dizer isso, mas sejamos sinceros: Casa de Areia é o tipo de filme que tem exatamente tudo para decolar, tornando-se um marco na cinematografia brasileira, mas não o faz por ser inconsistente. Afogando-se na própria vaidade, o filme é uma celebração de tudo que o cinema brasileiro tem de melhor, desde as locações aos atores, passando pela produção, direção e, principalmente, fotografia. No meio de tanta grandiosidade, Casa de Areia se perde ao fazer o básico: contar uma história.