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    CASAL IMPROVÁVEL

    Por Sara Cerqueira
    30/07/2019

    Com roteiros geralmente simples, charmosos, engraçadinhos e que trabalham de forma muito parecida a idealização que temos do amor romântico, comédias românticas são capazes de provocar reações muito duais: ou as pessoas suspiram e se apaixonam junto com o casal ou viram os olhos e morrem de tédio com a previsibilidade dos acontecimentos.
    Tenho que admitir que faço parte do segundo grupo de pessoas. O gênero mais fofinho de todos nunca me despertou tanto interesse, mas, como qualquer outro gênero cinematográfico, ele é mais que capaz de quebrar estereótipos e ir além das convenções. Nada melhor que ver seu preconceito ser revertido e se transformar em uma experiência cinematográfica muito agradável.

    Em Casal Improvável, mais novo longa do diretor Jonathan Levine, o roteiro abusa de uma fórmula já bastante explorada por diretores e roteiristas do gênero: o surgimento do amor entre pessoas que são totalmente opostas. Aqui, Charlotte Field (interpretada por Charlize Theron) é uma mulher inteligente, desenvolta e estonteante, que trabalha como secretária do Estado e almeja se tornar a primeira presidenta dos Estados Unidos. Seu par? Fred Flarsky (Seth Rogen), um jornalista desajustado e atrapalhado, sempre em busca de furos jornalísticos. Quando Charlotte decide contratar Fred para escrever seus discursos de campanha, eles se apaixonam e precisam manter o romance em segredo para não prejudicar a carreira de Charlotte.

    Aqui, a comédia e os comentários sociais são o foco do longa. Já logo na primeira cena, vemos o jornalista Fred dentro de uma reunião de neonazistas, tentando extrair informações para uma de suas pautas. Tentando agir como um infiltrado, ele se atrapalha e acaba revelando suas verdadeiras intenções por não conseguir simular empolgação com os discursos de ódio às minorias, em uma cena incrivelmente cômica. A partir daí, vemos uma sequência de criticas à política estadunidense, a misoginia da grande mídia, à indústria hollywoodiana e à manipulação de informações.

    Outro elemento interessante que o filme se utiliza para mesclar comicidade e pensamento crítico é a inversão de papeis de gênero. Aqui, o personagem Fred incorpora todas as características geralmente atribuídas às personagens femininas de comédias românticas: inadequação, pouca influência social e financeira e timidez. Já Charlotte é desenvolta, sedutora, rica e influente, características que vemos com mais frequência nos "príncipes encantados" de romances.
    O trabalho do cast é muito bom. A química entre os personagens principais é realmente perfeita. Charlize Theron entrega uma mulher ambiciosa, divertida e cativante, que tenta unir suas ideologias à sua vida política. Já Seth Rogers encarna um estereotipo muito conhecido do estilo "trapalhão", sempre se metendo em problemas, mas que, no fundo, tem um bom coração.

    O único ponto negativo que pode ser questionado no longa é a utilização do humor pastelão em algumas cenas sem nenhuma necessidade. Tombos de escada, situações irreais demais (até para uma comedia romântica), conflitos infantis entre os personagens e outros elementos acabam deixando algumas cenas sem graça, o que é um bocado perigoso para um filme de comédia, mesmo que seja romântica.

    Mesmo com cenas problemáticas, Casal Improvável é eficiente no que se compromete a fazer: trazer novos ares e comentários relevantes para um gênero um bocado desgastado.