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    CAVALGADA COM O DIABO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Não se pode acertar todas. Depois de trabalhos maravilhosos como Banquete de Casamento, Comer Beber Viver, Razão e Sensibilidade e Tempestade de Gelo, o cineasta tailandês Ang Lee tropeçou feio no western dramático Cavalgada com o Diabo. Tudo bem, ele tem crédito.

    Baseado no livro “Woe to Live On”, de Daniel Woodrell, o roteirista James Schamus – habitual colaborador de Lee – mergulha fundo no cotidiano da Guerra Civil Americana para contar a história de dois amigos de infância: Jacke (Tobey Maguite, de Regras da Vida), e Jack (Skeet Ultich, de Pânico). Com a chegada da Guerra, os dois jovens vão abandonar suas vidas pacíficas e burguesas para comer o pão que o diabo amassou durante os sangrentos conflitos acontecidos ao longo da fronteira dos estados de Kansas e Missouri.

    A trama é repleta de elementos épicos, morais, aventurescos, e até românticos. Aborda lealdade, paixão, racismo, amizade. Mas o grande problema do filme é a proliferação – e a conseqüente confusão – de personagens e situações. Até os nomes dos heróis principais – Jake e Jack - contribuem para este caos. A miscelânea vai além: não bastasse a profusão de personagens – alguns deles com pouca ou nenhuma função dentro da trama – Ang Lee também se perdeu estilisticamente. Por um lado, busca o drama íntimista, às vezes arrisca o romance, e em algumas cenas não resiste em tentar o tom épico e aventureiro que o tema proporciona. Salpica, aqui e ali, doses de violência e conflitos morais. Oscilando entre todos estes caminhos, porém, Lee não trilha nenhum deles com a eficiência de seus outros filmes. A produção impecável não é suficiente para encobrir os problemas do roteiro, e as quase duas horas e vinte de Cavalgada com o Diabo ficam parecendo ainda mais longas.

    Não foi desta vez que o cinema americano produziu outro ...E o Vento Levou, mas isso não vai abalar de forma nenhuma a carreira de sucesso do diretor. Ele já se recuperou perante a crítica, o público e a indústria do cinema com o elogiado O Tigre e o Dragão, novo épico – desta vez chinês – cotado como favorito ao Oscar de filme estrangeiro deste ano.



    10 de janeiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br