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    CEMITÉRIO MALDITO

    Por Thamires Viana
    10/05/2019

    Remakes sempre geram algumas incertezas no público, principalmente quando o filme original é considerável intocável. Quando anunciado, Cemitério Maldito causou um buzz de críticos e cinéfilos que se questionaram se seria mesmo necessário uma nova adaptação do romance de Stephen King nos cinemas. O clássico de 1989 dirigido por Mary Lambert ganhou uma nova roupagem e esta, ao contrário do que se pensa, é tão impactante e pertubadora quanto à antecessora.

    A trama continua quase a mesma, mas ainda traz a família Creed enfrentando uma série de acontecimentos bizarros depois que Church, o gato de estimação, é morto em um atropelamento e enterrado em um antigo cemitério localizado próximo à casa que residem. O pai Louis Creed (Jason Clarke), a mãe Rachel (Amy Seimetz) e os filhos Ellie (Jeté Laurence) e Gage (vivido pelos gêmeos Hugo e Lucas Lavoie) passam por uma série de eventos relacionados à maldição do local.

    Quaisquer que sejam seus sentimentos em relação ao filme original, é importante ressaltar que este novo filme é capaz de causar um forte impacto, principalmente em uma década onde raros filmes de terror se destacam pra valer. O remake vem marcado por atuações fortes, boa direção, roteiro inteligente e é capaz de causar um verdadeiro pavor! Na medida em que sua trama avança, percebemos que foi possível, pela segunda vez, desmembrar o lado mais sombrio e perturbador da mente de King.

    Dr. Creed é agora um homem descrente e mais egoísta quando crê que pode assumir o controle de todas as coisas ao seu redor. Sem pensar nas consequências dos atos e nem mesmo levar em consideração os avisos de Jud, seu vizinho e amigo interpretado pelo ator John Lithgow, suas atitudes baseadas do desespero de um pai também mostram um homem cheio de traumas e arrependimentos, e aqui, Clarke desempenha seu papel com maestria.  

    O mesmo está em Rachel, papel de Seimetz. A mãe é perseguida por memórias assombrosas de um trágico acidente ocorrido com sua irmã mais velha e seus traumas impactam diretamente na forma como ela encara os novos acontecimentos ao lado do marido e dos filhos. As cenas em que aparece estão bem mais focadas no passado da personagem, e embora ela esteja no núcleo principal da trama, Rachel parece distante dos eventos atuais.

    Ellie, que é a criança que retorna para promover o caos, mostra talento de veterana como a morta-viva. O terceiro ato do filme é entregue à pequena de maneira única e ela rouba para si todos os gritos dos espectadores. Desde sua caracterização até a forma de andar mostram que Laurence tem um caminho brilhante pela frente na atuação. O pequeno Gage não é mais o centro da história como no primeiro filme, mas a semelhança dos gêmeos com o ator Miko Hughes, que interpretou o papel na primeira versão, cria uma certa ligação entre as crianças das duas produções.   

    A direção está nas mãos da dupla Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, que anteriormente assumiram o comando de dois outros filmes do gênero: Starry Eyes e Hollydays, e em Cemitério Maldito não decepcionam. Na nova versão, há algumas mudanças no enredo, como qual criança morre (isso já mostrado no trailer) e o desfecho da trama. No entanto, parto do princípio de que seguir exatamente cada passo de seu anterior tiraria a personalidade do filme lançado 30 anos depois.     

    É nisso que Cemitério Maldito acerta em cheio. Ainda que chegue aos cinemas dividindo opiniões, ele apresenta uma roupagem atual e moderna a uma das histórias mais sinistras de King e faz isso sem usar o copia e cola. Assim como It: A Coisa, suas mudanças não representam um desrespeito ao original, mas sim a criação de uma identidade única para introduzir a nova geração ao universo dos anos 80 que marcou, e muito, o gênero do terror.