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    CHAPPIE

    Longa reascende debate sobre relação entre humanos e máquinas
    Por Pedro Tritto
    16/04/2015

    Em 2014, José Padilha trouxe em sua versão de Robocop o debate da utilização de drones pela polícia. No caso, as autoridades preferiam colocar máquinas em lugares de combate para protegerem os oficiais humanos. Pouco mais de um ano depois, Neill Blomkamp retoma essa discussão.

    Em Chappie, o diretor conhecido por Elysium e Distrito 9, traz uma fábula moderna, que além da falar sobre robótica, explora a ambientação do submundo de Joanesburgo. E o cineasta nascido na África do Sul demonstra domínio do assunto, pois, além de se aprofundar nos conflitos sociais que vive atualmente a capital do país, ele consegue abordar em uma história futurística temas atuais e pertinentes, principalmente por fazer questão de relatar como são as leis de um universo periférico e cheio de desigualdade.

    Esse é o grande lance do longa. Mesmo com sinais de uma trama repetitiva no início, que mostra uma série de robôs policiais que tentam combater o mal em uma cidade corrupta, aos poucos a história vai tomando rumos mais humanos e até inesperados em certos momentos. E isso é bom, pois, dessa forma, o filme fica mais realista e interessante.

    A melhor manobra de Blomkamp é inverter os papeis. Para fugir do óbvio, o diretor procura focar mais a periferia sul-africana, trazendo imagens mais urbanas, com tomadas das áreas mais pobre da metrópole, justamente para transmitir a dificuldade do povo local. Para se ter ideia, os momentos mais importantes da trama acontecem nesse tipo de cenário. Além disso, você passa a torcer para o bandido conforme a história vai se desenvolvendo, o que a deixa ainda mais intrigante e envolvente.

    Na trama, a África do Sul resolve substituir os policiais humanos por uma frota de robôs dotados por uma inteligência artificial, criada por Deon (Dev Patel), um jovem cientista que deseja embutir emoções humanas em suas máquinas. No entanto, a dona da empresa de segurança do país, Michelle Bradley (Sigourney Weaver), veta a ideia. Um dia, ele rouba um modelo defeituoso e começa a fazer experiências nele, até conseguir criar Chappie (Charlito Copley), um robô capaz de pensar e aprender por conta própria.

    No entanto, a máquina avançada é sequestrada pelos criminosos Ninja (Ninja Visser), Yo-Landi (Yo-Landi Visser) e Yankie (José Pablo Cantillo), que querem usá-la para assaltar um banco e salvar a suas peles. A partir daí, Chappie vai precisar aprender a usar sua consciência para descobrir o que é certo e errado e, ao mesmo tempo, lutar para que sua espécie não se torne uma verdadeira ameaça.

    Conforme as coisas vão acontecendo na trama, é perceptível um cuidado do diretor em tratar dos assuntos propostos, tanto que os diálogos sobre assuntos técnicos, principalmente os que acontecem entre os colegas Deon e Vincent (Hugh Jackman), são apresentados com uma linguagem simples. E isso é bom, pois deixa o espectador bem mais por dentro do tema e a vontade na hora de tirar conclusões próprias.

    Por se tratar de um bom filme de ação, Chappie é, sim, uma boa opção de entretenimento não só porque é divertido e engraçado, mas também por reascender de maneira inteligente temas sociais e econômicos, além da discussão sobre o limite da relação entre máquina e ser humano e até onde um robô pode virar um ser humano e vice versa.