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    CHERNOBYL - SINTA A RADIAÇÃO

    Filme, em vez de alimentar, desconstrói o suspense e a tensão ao longo do tempo e tem final medíocre<br />
    Por Roberto Guerra
    18/07/2012

    Roteirizado e produzido por Oren Peli, criador da bem-sucedida franquia Atividade Paranormal, Chernobyl – Sinta a Radiação mostra um grupo de jovens turistas que vão visitar a cidade-dormitório de Pripyat, vizinha à usina nuclear de Chernobyl, local do famoso acidente nuclear de 86, e se deparam com estranhos acontecimentos. Este é o cenário para a enxurrada de clichês que vem adiante para tentar arrancar sustos dos espectadores – o que consegue algumas vezes –, mas nada o suficiente para apagar a sensação de que estamos assistindo a mais do mesmo.

    A ideia de ambientar o filme em um lugar completamente abandonado – os moradores de Pripyat deixaram suas casas às pressas sem levar praticamente nada – é boa e, sem nenhum esforço, o clima de tensão se apresenta. O problema é que o cenário sombrio e cheio de possibilidades é mal aproveitado e a direção tacanha não consegue salvar o que um roteiro mal pensado já condenava ao fracasso.

    Chernobyl não pode ser classificado como um mockumentarie - filmes em forma de documentário, mas que na verdade não são reais. No entanto, seu estilo de filmagem é basicamente o mesmo: uma câmera que acompanha os personagens gravando como se fosse pela ótica de um deles.

    Se algo merece ser destacado – e que anda em falta nos filmes do gênero lançados ultimamente - é o clima envolvente. Depois de 15 minutos de projeção o público já está preso à história, mas o filme, em vez de alimentar, desconstrói o suspense e a tensão ao longo do tempo. Ao final, temos mais uma trama sobre jovens ingênuos que se veem envolvidos numa situação mórbida e inusitada da qual provavelmente não sairão vivos.

    O filme tenta ser inovador, mas passa ao largo. O enredo é bastante óbvio e abundante em incongruências narrativas que destroem aos poucos a credibilidade e realismo presente no início da trama. Ao longo da projeção um sem número de lugares-comuns são apresentados, como o namorado que entrega a aliança para a futura noiva pouco antes de morrer ou aquela velha e batida brincadeira de alguém simular está sendo atacado para pregar um susto nos amigos.

    Nos minutos finais do filme, as respostas aos eventos “sobrenaturais” começam a ser dadas, o que piora ainda mais o que já não ia bem. As explicações para os acontecimentos são tão bobas que seria preferível um final aberto, mesmo não sendo o ideal. Ao menos seria mais aceitável e não faria de Chernobyl – Sinta a Radiação mais um filme de terror de baixa qualidade e nenhuma imaginação.

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