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    CHICAGO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Poucos filmes têm conseguido uma unanimidade tão grande quanto Chicago. Até agora, todo mundo com quem conversei gostou bastante. Mesmo quem não curte musicais. E aí vem a primeira grande pergunta: é preciso ser fã de musicais para curtir Chicago? A princípio, não. Mas que ajuda, ajuda. De qualquer maneira, o filme é muito mais do que simplesmente um musical muito bem produzido. Ele também tem uma ótima história, coisa que os antigos musicais da Metro nem sempre traziam. Ele pode não ter uma estética tão moderna e revolucionária quanto Moulin Rouge, mas é, antes de mais nada, uma festa para os olhos e para os ouvidos.

    A trama se passa na violenta Chicago nos anos 20. Roxie (Renée Zellwegger, de O Diário de Bridget Jones) é uma tímida aspirante a atriz e dançarina, que vive traindo o marido, e sonha um dia ter o mesmo sucesso nos palcos da bela Velma (Catherine Zeta-Jones). Certa noite, após uma discussão, ela acaba matando o amante e vai para a cadeia. Seu advogado, Billy Flynn (Richard Gere), sabe que só existe uma saída para Roxie escapar da forca: torná-la famosa. Ninguém enforca uma pessoa famosa.

    Nos dias de hoje, quando Lacraia e Eguinha Pocotó fazem sucesso, a discussão sobre a fama vazia e inconseqüente deixou de ser novidade. Mas é preciso lembrar que Chicago é um filme basedo no musical homônimo da Broadway produzido em 1975. Ou seja, numa época em que sequer se imaginava que uma coisa chamada Big Brother poderia encantar as massas. Neste sentido, seu conteúdo está mais atual do que nunca. E a sua forma é simplesmente maravilhosa. Dá vontade de levantar e aplaudir ao final de cada número musical. O ritmo é irresistível, as coreografias são fascinantes, a montagem é simplesmente magistral e todos os atores estão perfeitos nos seus papéis, mesmo sem ser exímios dançarinos, nem possuírem vozes potentes. A adequação das letras das músicas com as situações vividas durante a trama beira a perfeição, e a produção, se não é exuberante, é correta e convincente. Que gigantesca oportundiade de marketing a gravadora está perdendo em não colocar os CDs da trilha sonora à venda no saguão do cinema, na saída do público. Com certeza iria vender como água, já que as músicas têm sempre aquele sabor de "quero ouvir de novo".

    Senti apenas a falta de planos mais abertos, de seqüências externas que dessem um "respiro" à narrativa. Mas imagino que este tipo de espetáculo um pouco claustrofóbico tenha sido uma opção do diretor, já que a origem do filme é eminentemnte teatral.

    De qualquer maneira, que gosta de musicais vai amar Chicago. E quem não gosta, vai curtir seu ótimo roteiro: cínico, inteligente e sarcástico.

    13 de março de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br