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    CHOCOLATE (2000)

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009
    6/10

    CHOCOLATE (2000)

    12
    Romance

    Existe um tema clássico que o cinema vive contando e recontando. Trata-se da boa e velha história do forasteiro misterioso que chega numa cidadezinha, é hostilizado pelos moradores, mas no final acaba ganhando a simpatia de todos e transformando a vida do lugar. Com certeza você “já viu este filme antes”, seja no formato de western, drama, comédia ou musical.

    A receita foi novamente repetida agora na emocionante co-produção britânico-americana Chocolate. Tudo se passa numa pequena vila francesa - burguesa e conservadora -, onde a forasteira Vianne (Juliette Binoche, de O Paciente Inglês) instala ao lado da igreja uma tentadora loja de chocolates. O prefeito (Alfred Molina) considera o ato um desrespeito, já que a comunidade está empenhada em guardar a Quaresma, período que os católicos mais fervorosos dedicam à penitencia e à reflexão. A época é de jejum, não de doces. A situação piora quando o prefeito fica sabendo que Vianne não é católica e que sua pequena filha Anouk (Victoire Thivisol, a revelação de Ponette) desconhece o próprio pai.

    Rapidamente a cidade se divide. De um lado, a intolerância, o medo do diferente, o conservadorismo e a rudeza de quem não admite mudanças. Do outro, a celebração da vida, o amor à liberdade, o cultivo dos doces sabores da existência.

    Em clima de fábula, Chocolate desenha Vianne como uma mistura de cozinheira e feiticeira do bem. Seus quitutes adoçam não apenas bocas e línguas como espíritos e almas, derretem antigos sentimentos petrificados. Amante das boas coisas da vida, ela é contra as antigas tradições sem sentido que aprisionam seus seguidores. Até perceber que ela própria é uma prisioneira de seu passado.

    É inegável que Chocolate é um apanhado de boas idéias tiradas de outros filmes como Festa de Babette, Comer Beber e Viver e Como Água para Chocolate. Mas, seus ingredientes são irresistíveis. O elenco é de primeiríssima qualidade, desde a pequena Victoire Thivison até a veteraníssima Judi Dench (Sua Majestade Mr. Brown), passando por Lena Olin (A Insustentável Leveza do Ser), por Johnny Depp, pela elegante Carrie-Anne Moss (Matrix) e pela própria dupla central de atores.

    O aspecto visual – fotografia, figurinos e direção de arte – é impecável e até a fictícia vila de Lansquenet parece ter saído de um conto de fadas (na verdade trata-se da cidade medieval de Flavigny-su-Ozerain, próxima a Dijon). Tudo sob o comando de Lasse Hallström, o sempre sensível diretor de Minha Vida de Cachorro e Regras da Vida.

    Mesmo combatendo o tradicionalismo, Chocolate é um filme de narrativa tradicional. Sua estrutura é clássica, linear e até certo ponto previsível. Uma receita antiga como um bolo feito em casa. Antiga, irresistível e deliciosamente doce.

    13 de fevereiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br