poster do filme Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível

CHRISTOPHER ROBIN - UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

(Christopher Robin)

2018 , 104 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 16/08/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marc Forster

    Equipe técnica

    Roteiro: A.A. Milne, Alex Ross Perry, Allison Schroeder, Tom McCarthy

    Produção: Brigham Taylor, Steve Gaub

    Fotografia: Matthias Koenigswieser

    Trilha Sonora: Geoff Zanelli, Jon Brion

    Estúdio: Walt Disney Pictures

    Montador: Matt Chesse

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Adrian Scarborough, Bern Collaco, Brad Garrett, Bronte Carmichael, Chris O'Dowd, Evie Wray, Ewan McGregor, Gintare Beinoraviciute, Hayley Atwell, Jim Cummings, Katy Carmichael, Mark Gatiss, Nick Mohammed, Oliver Ford Davies, Paul Chahidi, Peter Capaldi, Roger Ashton-Griffiths, Shola Adewusi, Sophie Okonedo, Toby Jones, Tristan Sturrock

  • Crítica

    14/08/2018 12h53

    Não posso dizer que cresci assistindo aos desenhos do Ursinho Pooh. Sei que a obra (entre séries e filmes, livros e ilustrações em lancheiras escolares) fez parte da minha infância, como a de praticamente todas as crianças desde os anos 60. Mas alguma coisa naquele mundo de animais falantes nunca me caiu bem.

    Não eram os animais em si, nem o fato de que eles falavam. Verdade seja dita, nem assisti a episódios suficientes para saber o que me incomodava, mas tenho a impressão de que era o tom: havia uma melancolia constante naquele grupo de bonecos que me fazia querer trocar de canal toda vez que ouvia seus arrastados diálogos. Então, mantive distância até onde pude – no caso, até a semana passada.

    Foi quando cruzei a cidade para conferir um filme chamado Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível, estrelando Pooh e seus colegas felpudos. O longa foi filmado em live-action e se passa décadas após os eventos da série original, quando o garotinho que deu vida a seus brinquedos se tornou adulto, do tipo cansado e cheio de responsabilidades. Ele tem o rosto e a voz de Ewan Mcgregor.

    Quando o encontramos, Christopher é casado, tem uma filha, lutou na Segunda Guerra e agora trabalha numa fábrica de malas. Ele já quase se esqueceu do antigo urso de pelúcia e mal tem tempo para viajar à casa de campo onde costumava brincar. Neste fim de semana, é sua filha quem vai passar o final das férias lá, com a mãe, enquanto ele fica em casa trabalhando. As duas estão decepcionadas.

    Como é comum em filmes infantis, o trabalho de Christopher é o grande vilão e todos (inclusive Pooh) esperam que ele ignore seu chefe, acompanhe a família na viagem e mantenha o emprego como num passe de mágica (que é mais ou menos o que sabemos que vai acontecer). Mas, para vencer essa "batalha" contra o "mundo corporativo", ele deverá primeiro ajudar o ursinho a encontrar seus amigos, reconectando-se, assim, com seu lado lúdico.

    Apesar de girar em torno de personagens conhecidos, o filme acerta ao não visar apenas os fãs do clássico, mas também adultos e crianças interessados num drama universal sobre a importância de se manter uma "visão infantil" sobre a vida. O problema é que essa parte do público provavelmente já viu a mesma ideia em outros filmes (como Hook - A Volta Do Capitão Gancho ou Em Busca Da Terra Do Nunca, esse último do mesmo Marc Forster que dirigiu Christopher Robin) e estará esperando por algo bem menos seguro, com lições de vida diluídas entre momentos de humor, tristeza e genuína tensão, e não explicadas com todas as palavras por um mascote pensativo.

    O novo longa não deixa de ter seus méritos: ele mistura bem os personagens de carne-e-osso com os animaizinhos em CGI e Hayley Atwell é uma ótima adição ao elenco, na pele de uma esposa no limite da paciência. A pequena Bronte Carmichael está fofíssima como a filha Madeline, que tem sua própria aventura paralela, mas ela é um pouco mais consciente dos próprios sentimentos do que qualquer criança deveria ser.

    Como na animação, os melhores momentos vêm quando Pooh não está em cena e Bisonho (aqui chamado de , pelo menos na versão legendada) invade a tela com seu sarcasmo sem filtros. Seu pessimismo é uma das únicas coisas que soam verdadeiras dentro desse universo imaginado e, para o espectador, sua presença é um respiro de alívio, uma fuga da inocência exagerada de seus fofos colegas.

    Não demora, porém, para que todo esse mundo imaginário abandone o reino da metáfora e os bichos venham rolar, vivos e falantes, pelas ruas de Londres. Isso faz tanto sentido que a expressão cética de Atwell nos representa, e os olhos se reviram na sala escura do cinema. Acho que manterei minha distância por mais alguns anos.

    Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível chega ao circuito no dia 16 de agosto.



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