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    CHRISTOPHER ROBIN - UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

    Por Juliana Varella
    14/08/2018

    Não posso dizer que cresci assistindo aos desenhos do Ursinho Pooh. Sei que a obra (entre séries e filmes, livros e ilustrações em lancheiras escolares) fez parte da minha infância, como a de praticamente todas as crianças desde os anos 60. Mas alguma coisa naquele mundo de animais falantes nunca me caiu bem.

    Não eram os animais em si, nem o fato de que eles falavam. Verdade seja dita, nem assisti a episódios suficientes para saber o que me incomodava, mas tenho a impressão de que era o tom: havia uma melancolia constante naquele grupo de bonecos que me fazia querer trocar de canal toda vez que ouvia seus arrastados diálogos. Então, mantive distância até onde pude – no caso, até a semana passada.

    Foi quando cruzei a cidade para conferir um filme chamado Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível, estrelando Pooh e seus colegas felpudos. O longa foi filmado em live-action e se passa décadas após os eventos da série original, quando o garotinho que deu vida a seus brinquedos se tornou adulto, do tipo cansado e cheio de responsabilidades. Ele tem o rosto e a voz de Ewan Mcgregor.

    Quando o encontramos, Christopher é casado, tem uma filha, lutou na Segunda Guerra e agora trabalha numa fábrica de malas. Ele já quase se esqueceu do antigo urso de pelúcia e mal tem tempo para viajar à casa de campo onde costumava brincar. Neste fim de semana, é sua filha quem vai passar o final das férias lá, com a mãe, enquanto ele fica em casa trabalhando. As duas estão decepcionadas.

    Como é comum em filmes infantis, o trabalho de Christopher é o grande vilão e todos (inclusive Pooh) esperam que ele ignore seu chefe, acompanhe a família na viagem e mantenha o emprego como num passe de mágica (que é mais ou menos o que sabemos que vai acontecer). Mas, para vencer essa "batalha" contra o "mundo corporativo", ele deverá primeiro ajudar o ursinho a encontrar seus amigos, reconectando-se, assim, com seu lado lúdico.

    Apesar de girar em torno de personagens conhecidos, o filme acerta ao não visar apenas os fãs do clássico, mas também adultos e crianças interessados num drama universal sobre a importância de se manter uma "visão infantil" sobre a vida. O problema é que essa parte do público provavelmente já viu a mesma ideia em outros filmes (como Hook - A Volta Do Capitão Gancho ou Em Busca Da Terra Do Nunca, esse último do mesmo Marc Forster que dirigiu Christopher Robin) e estará esperando por algo bem menos seguro, com lições de vida diluídas entre momentos de humor, tristeza e genuína tensão, e não explicadas com todas as palavras por um mascote pensativo.

    O novo longa não deixa de ter seus méritos: ele mistura bem os personagens de carne-e-osso com os animaizinhos em CGI e Hayley Atwell é uma ótima adição ao elenco, na pele de uma esposa no limite da paciência. A pequena Bronte Carmichael está fofíssima como a filha Madeline, que tem sua própria aventura paralela, mas ela é um pouco mais consciente dos próprios sentimentos do que qualquer criança deveria ser.

    Como na animação, os melhores momentos vêm quando Pooh não está em cena e Bisonho (aqui chamado de , pelo menos na versão legendada) invade a tela com seu sarcasmo sem filtros. Seu pessimismo é uma das únicas coisas que soam verdadeiras dentro desse universo imaginado e, para o espectador, sua presença é um respiro de alívio, uma fuga da inocência exagerada de seus fofos colegas.

    Não demora, porém, para que todo esse mundo imaginário abandone o reino da metáfora e os bichos venham rolar, vivos e falantes, pelas ruas de Londres. Isso faz tanto sentido que a expressão cética de Atwell nos representa, e os olhos se reviram na sala escura do cinema. Acho que manterei minha distância por mais alguns anos.

    Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível chega ao circuito no dia 16 de agosto.