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    CIDADE DOS HOMENS - O FILME

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um dos maiores "defeitos" que está sendo apontado em Cidade dos Homens - O Filme é que ele seria muito parecido com Cidade de Deus: faltaria uma visão mais nova sobre o tema. Discordo. Ser parecido com o excelente Cidade de Deus não pode ser considerado um demérito e não há como negar que os projetos são irmãos.

    Relembrando: os personagens Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha), dois meninos que fazem o possível para sobreviver com alguma dignidade no submundo dos morros cariocas, foram criados pelo escritor Paulo Lins para o curta-metragem Palace 2, de 2001. Que, por sua vez, era um "balão de ensaio" para Cidade de Deus, que Fernando Meirelles viria a dirigir no ano seguinte. O sucesso do longa incentivou a realização do seriado de TV Cidade dos Homens, produzido entre 2003 e 2005, que retoma a trajetória de Acerola e Laranjinha. Agora, com o seriado já fora de produção, entra em cartaz nos cinemas Cidade dos Homens - O Filme, uma espécie de despedida destes personagens.

    Tudo se passa no período de 30 dias, quando tanto Acerola como Laranjinha completam 18 anos. A chegada da maioridade mexe com os pensamentos e sentimentos dos rapazes. Ainda que unidos desde a infância, ambos vivem situações um pouco diferentes. Acerola está preocupado com o filho de dois anos que tem para criar, enquanto o problema de Laranjinha é não ter um pai que possa assinar seus documentos. Tudo, é claro, debaixo do fogo cruzado diário que é a vida na favela. A paternidade é o grande tema do filme, embora em situações opostas. Acerola, ao mesmo tempo em que se vê obrigado a lidar com sua paternidade precoce, passa a ajudar o amigo na busca pelo pai dele. Quando o círculo finalmente se fecha, a amizade entre os dois é colocada numa prova de fogo.

    Escrito a quatro mãos, por Paulo Morelli e Elena Soarez, o roteiro de Cidade dos Homens - O Filme é envolvente e bem-resolvido. Um rito de passagem tanto para os personagens que se vêem pressionados a tomar decisões radicais em suas vidas, às vésperas de suas maioridades, tanto para o filme, que encerra de maneira marcante uma saga iniciada há seis anos e que deixou bons frutos tanto no cinema como na TV.

    Esteticamente, Cidade dos Homens - O Filme mantém a coerência do projeto como um todo: câmera na mão, enquadramentos "nervosos", cor e grão estourados, senso de urgência, jeitão de cinema documental. Provavelmente vai ser criticado novamente por fazer a tal "apologia à estética da fome". Bobagem. O filme tem direção segura de Morelli, constrói seus personagens com talento e consegue uma impressionante coesão interpretativa de todo o elenco. É ótima também a idéia de utilizar flashbacks do seriado, mostrando antigos momentos de Acerola e Laranjinha. O espectador mais desavisado pode até perguntar: onde eles foram arrumar atores mirins tão parecidos com os atuais? Não foram. "Todos" eles são os mesmos Douglas Silva e Darlan Cunha - meninos no morro também na vida real - em imagens captadas entre 2001 e 2006. Por quê? Pensou que só Harry Potter podia?