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    CIDADES DE PAPEL

    Leve e empolgante, longa consegue contornar clichês adolescentes
    Por Iara Vasconcelos
    08/07/2015

    Dizem por aí que John Green é o novo Nicolas Sparks. O autor e vlogger de 37 anos, conhecido por seus romances adolescentes, consegue a façanha de emplacar uma obra atrás da outra entre as mais vendidas e algumas delas ainda viram sucessos das telonas. Foi assim como A Culpa É Das Estrelas, agora com Cidades De Papel, sem falar na adaptação prevista para 2016 de "Quem é você Alasca? ".

    Mas o que faz as obras de Green serem tão bem-sucedidas entre seu público alvo? Simples, ele deu ao seu nicho aquilo que ele pedia. Estando tão presente na internet, o autor conhecia muito bem o mundo das "fics" e dos "ships". As pessoas que pertencem a esse universo podem rejeitar, sem hesitar, ler um livro de 150 páginas, mas passariam horas e horas lendo fanfictions na web. Então, porque não aproveitar esses elementos, mesclá-los com clichês da adolescência e adicionar um drama mais pesado como doença ou morte para adultizar a história? Essa é a fórmula que tem dado certo independente das críticas.

    O argumento principal de Cidades de Papel tem clichê escrito em letreiro picante. Na trama, o jovem Quentin (Nat Wolff) é apaixonado pela vizinha Margot (Cara Delevingne) desde a infância, mas os dois possuem personalidades muito diferentes. Com o passar do tempo e a chegada da adolescência, os dois vão cada um para o lado, seguindo o curso tradicional dessa fase que é se separar em tribos, as quais dificilmente se misturam com as outras.

    Nat Wolff vive o jovem que é a síntese do "nerd" galã dos filmes românticos. Quentin é introvertido, tem poucos amigos, não frequenta festas, é fanático por Pokémon, mas ainda assim é atraente, o típico "fofo", sempre sorridente, sempre compreensível. O que prova que cada vez mais Hollywood tem deixado para trás a figura dos óculos de armação grossa, acne e aparelho nos dentes. 

    Já Margot é uma garota rebelde. Apesar de ser extremamente popular e desejada, ela não se encaixa no mundo das garotas "barbie". Ela é forte, decidida, impulsiva e crítica ao ambiente ao seu redor. A personagem vem para trazer novamente o estereótipo da "Manic Pixie dream girl", garotas de espírito livre, que não se preocupam com a aparência (apesar de serem sempre bonitas), inteligentes, que aparecem no caminho do protagonista masculino para ajudá-lo a ter uma grande mudança de comportamento. Alguns exemplos de MPDG do cinema: Ramona Flowers (Scott Pilgrim), Sam (As Vantagens de ser invisível), Summer (500 Dias com Ela) e muitas outras. O bacana é que essa "trope" é desconstruída. As pessoas percebem que Margot não é perfeita, nem um "milagre", como Quentin acreditava, é apenas vítima da idealização das pessoas sobre ela.

    Mas o grande acerto de Cidades de Papel é o fato de que ele funciona. O filme tem seus momentos de comédia, de road movie, suspense, romance e crises existenciais, além de uma pitada de saudosismo e tudo isso se combina de forma positiva. É realmente surpreendente porque a maioria dos espectadores do cinema provavelmente estarão divididos entre fãs do livro, pessoas desavisadas e que escolheram o filme aleatoriamente e aquelas que estão lá a contragosto acompanhando alguém, e para os dois últimos casos o filme entrega um resultado consistente.
    É leve, você nem sente o tempo passar, e ainda te diverte em vários momentos, capaz de derrubar a antipatia de muita gente pelo gênero ou até pelo próprio John Green.

    Para quem não leu o livro, o fato de Margot não ser exatamente a protagonista do longa também causa espanto. Ela passa a maior parte da trama "sumida", dando espaço para que outros personagens, como o trio de amigos liderado por Quentin e até sua amiga patricinha de infância, se desenvolvam sem que suas histórias tirem o foco principal do filme.

    Cidades De Papel ainda sofre com premissa batida do "garoto/garota nerd se apaixona por garota/garoto mais popular da escola", mas consegue amenizar isso com sua variedade de gêneros e seus personagens bem trabalhados. No final, acaba sendo um cavalo de Tróia positivo.