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    CINDERELA

    Live-action presta saudoso tributo a animação clássica
    Por Iara Vasconcelos
    26/03/2015

    Cinderela é um dos maiores ícones dos contos de fada e já ganhou diversas versões pelo mundo, passando pelo cinema fantástico de Georges Méliès (Baile Até à Meia-Noite), até a versão moderninha e desencanada interpretada por Hilary Duff (A Nova Cinderela). Mas nenhuma adaptação foi tão aclamada e memorável quanto à de 1950, produzida pela Disney. E foi apoiado pela clássica animação que Kenneth Branagh construiu seu live-action.

    Indo na contramão dos recentes Caminhos Da Floresta e Malévola – que retratam visões alternativas sobre os tradicionais contos – o diretor presta saudoso tributo a animação de sucesso do estúdio, inspirada na história escrita por Charles Perrault, em 1697.

    Na história, Ella – que torna-se Cinderela graças a um apelido dado pela irmã postiça – sofre com a morte precoce da mãe, tendo o pai como único alento. Mas quando ele inicia um relacionamento com Lady Tremaine (Cate Blanchett) e acaba sofrendo acidente fatal, a garota fica sob os cuidados da madrasta e suas duas filhas. Ganancioso e tomado pela inveja, o trio faz dela sua escrava particular. Proibida de ir ao baile real, a jovem recebe a ajuda mágica de uma fada-madrinha (Helena Bonham Carter), que a transforma na moça mais adorável da festa, mas o encanto só dura até a meia-noite. Desesperada com o prazo, Cinderela acaba perdendo um de seus sapatos de cristal, que mais tarde é achado pelo príncipe, iniciando assim uma verdadeira caçada pela dama misteriosa.

    Lily James, que ficou conhecida por seu papel como Lady Rose MacClare no seriado Downtown Abbey, foi a escolhida para dar vida à princesa. A moça é um rosto relativamente novo, mas que, devido a sua simpatia, certamente tem um futuro promissor em Hollywood. Basta observarmos o exemplo de Mia Wasikowska: desde que deu a vida à Alice de Tim Burton, tem arrematado papéis significantes no cinema, como no recente Mapa Para as Estrelas, no qual atuou ao lado de Julianne Moore.

    Se James merece atenção especial, o que dizer de Cate Blanchett? É provável que a veterana tenha arrancado mais admiração do que raiva na pele da Madrasta. Ziguezagueando pelos belos cenários com seus elegantes vestidos, a megera até ganhou seu momento de redenção à lá Malévola, quando revela quase em lágrimas o motivo de sua malvadeza.

    Aliás, é seguro dizer que apesar da fidelidade com a história original, a Disney procurou humanizar alguns elementos da trama. No primeiro encontro de Cinderela com o príncipe, por exemplo, nada de temor e passividade, a realeza ganhou foi uma bronca da moçoila, uma perfeita protetora dos animais, que repudia a caça como esporte – será que a Cinderela moderna seria adepta das manifestações e textões de Facebook?

    Correndo por fora temos a boa e velha Helena Bonham Carter que, com ou sem o ex-marido Tim Burton, sempre adiciona o "Q" de excentricidade aos seus papéis. Colocá-la como Fada-madrinha foi uma decisão acertada da direção, já que a cena da "transformação" da borralheira em princesa é a mais festiva de toda a história.

    Cinderela conta com um figurino de encher os olhos – as vestimentas usaram cerca de 1,7 milhão de cristais Swarovski em sua composição – e traz a aura mágica da animação. Apesar não alcançar o mesmo brilho de sua "obra-inspiração", o live-action passa longe de ser uma desilusão e deve agradar a quem deseja reviver e fábula dessa vez com personagens de carne e osso.