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    CÍRCULO DE FOGO

    Filme de Del Toro supera Transformers e diverte muito
    Por Daniel Reininger
    05/08/2013

    Círculo de Fogo é a melhor surpresa do ano. Depois de lutar contra o rótulo simplista de cópia de Transformers, o filme de Guillermo Del Toro mostra personalidade e supera com facilidade a trilogia de Michael Bay em todos os aspectos. Diversão é a palavra-chave deste blockbuster e muitos fãs de ação e ficção científica devem adicioná-lo à lista de favoritos.

    Repleto de referências à cultura pop japonesa, o longa parece uma versão Live Action de animes. Embora a alegria infanto-juvenil esteja garantida, o público adulto, principalmente àqueles acostumados com Power Rangers e Ultraman, tem tudo para curtir a guerra entre robôs (os Jaegers) e monstros gigantes (os Kaiju). E quem for capaz de captar referências a clássicos como Evangelion e H.P. Lovecraft vai aproveitar ainda mais.

    Como era de se esperar, Círculo de Fogo é um espetáculo visual com cores fortes e efeitos de primeira qualidade. Os viscerais combates são claros e permitem entender cada movimento dos lutadores. Destaque também para a direção de arte, que criou um universo em decadência totalmente adaptado à guerra global.

    Mais impressionante ainda são os robôs e monstros, frutos da mente criativa de Del Toro. É possível sentir a animação do cineasta mexicano a cada cena, que recebeu carta branca da Warner para criar o filme de seus sonhos. A consequência negativa dessa liberdade é a presença de personagens como Dr. Newton Geizler (Charlie Day) e Hannibal Chau (Ron Pearlman), que parecem ter saído de filmes de ação dos anos 80.

    Embora Idris Elba e a dupla de protagonistas (Raleigh e Mako) segurem a onda, os relacionamentos são simplórios e muito tempo é perdido com conversas desnecessárias. A rivalidade entre o recém-chegado herói e o melhor piloto da base tem a mesma dinâmica de Top Gun. Além disso, outros tripulantes dos Jaegers são demasiadamente estereotipados e sua única função é garantir boas lutas.

    Em contrapartida, o longa ganha profundidade com outro aspecto interessante: a conexão neural entre os pilotos e a máquina. Como os robôs são enormes, é preciso duas pessoas no comando e suas mentes pecisam estar conectadas para agirem como os dois hemisférios do cérebro humano. Por isso, ambos dividem sensações e lembranças  com ramificações interessantes - algumas das melhores cenas nascem dessa ideia.

    Questões atuais, como a preocupação ambiental e consumismo, estão presentes, entretanto é a capacidade de união da humanidade que mais chama a atenção. Não existe patriotismo exagerado e as nações servem apenas como inspiração visual para os robôs. A crítica social, por sua vez, recai sobre os políticos, mostrados como inescrupulosos e incapazes de tomarem as decisões corretas por medo de perderem seus cargos – mesmo diante do apocalipse.

    Círculo de Fogo funciona e diverte, apesar de possuir algumas falhas. É fácil ignorá-las enquanto estamos entretidos com robôs batendo em monstros, porém quando paramos para pensar, percebemos que clichês e humor fora de hora impedem este de ser o melhor filme da carreira de Guillermo Del Toro.  Mesmo assim, essa produção merece ser vista no cinema, principalmente em Imax e ao lado de bons amigos.