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    CÍRCULO DE FOGO - A REVOLTA

    Por Daniel Reininger
    21/03/2018

    Círculo De Fogo foi uma grande surpresa de Guillermo Del Toro. Divertido, coloca monstros contra robôs em uma batalha voltada para o público ocidental, sem deixar as raízes orientais de lado. Muita gente não entendeu a graça do filme, mas isso é outra história, o problema é que isso afetou as bilheterias, que não foi lá essas coisas, apesar do relativo sucesso fora do mercado norte-americano.

    Embora uma sequência parecesse óbvia devido ao potencial da franquia, tudo indicava que nunca aconteceria, até pelo desinteresse do próprio Del Toro. Até que a Legendary resolveu investir, trouxe astros como John Boyega e Scott Eastwood e Círculo De Fogo - A Revolta chegou aos cinemas prometendo ser uma bomba. A surpresa é que não é.

    Teria sido um motivo ainda maior de espanto se o longa tivesse aproveitado a oportunidade para aprofundar o universo do original e revelado razões fora da caixa por trás dos monstros interdimensionais. Mas o longa só se preocupa mesmo em dar espaço para Boyega brilhar e em criar cenas de luta divertidas. Pouco para uma franquia com tanto potencial.

    A trama começa 10 anos após o fim da guerra e mostra a Terra parcialmente reconstruída. O mundo se divide em cidades arrasadas tomadas por restos de batalhas e ossos de monstros ou totalmente refeitas, com prédios futuristas e preparadas para possíveis batalhas titânicas no futuro.

    Nesse cenário, conhecemos Jake Pentecostes (John Boyega), filho do marechal Stacker (Idris Elba) e piloto que se tornou ladrão e contrabandista. As coisas começam a mudar quando ele conhece uma garota prodígio chamada Amara (Cailee Spaeny), que constrói seu próprio Jaeger. Os dois se metem em confusão e acabam recrutados por Mako (Rinko Kikuchi), irmã de Jake, para se unirem aos esforços de defesa contra futuras ameaças Kaiju.

    É meio triste ver todo o elenco de coadjuvantes reduzidos a peões para fazer Boyega brilhar. Os cadetes poderiam ter mais espaço, a mecânica Jules (Adria Arjona) só aparece muito rapidamente para insinuar um possível triangulo amoroso e Nate (Scott Eastwood) tenta ser o piloto rival, mas só serve mesmo para deixar o protagonista ainda mais fodão. Nenhum deles parece uma pessoa real e é aí que está o problema. Só a cadete Amara tem um pouco mais de espaço, mas seu arco é mal desenvolvido.

    Essas questões são culpa do roteiro, reescrito diversas vezes. Fica claro que Steven S. DeKnight pegou dois rascunhos e decidiu juntar de qualquer jeito. E não há espaço para desenvolver todos os personagens, subtramas, criar motivações convincentes e ainda dar tempo para mostrar batalhas bem coreografadas cheias de ação. Logo, algo teve que ser feito nas coxas e, como é comum em Hollywood, a narrativa e a construção dos personagens saiu perdendo.

    As melhores ideias do longa ficam de lado ou são mencionadas muito superficialmente, como a questão dos adoradores de Kaiju, a frota de Jaegers controlados à distância, a conexão neural, a corrupção causada por restos de Kaiju e o treinamento dos cadetes. Sem falar nas coincidências e explicações ridículas para fazer a trama chegar logo no combate final.

    Entretanto, quem vai assistir esse longa quer mesmo é ver robôs gigantes lutando contra monstros e nesse ponto está tudo bem. As lutas são ainda melhor coreografadas, a variedade de robôs e monstros é melhor explorada, os movimentos dos Jaegers são mais fluidos, fato atribuído à evolução da tecnologia ao longo da década que separa os dois filmes.

    Além disso, as lutas são mais fáceis de entender, graças ao CGI que evoluiu desde o primeiro longa e deixa as cenas mais claras. Na hora da porrada, não dá para reclamar, porque a ação é incrível e as ideias relacionadas à pancadaria são realmente boas.

    Claro que o filme não é para qualquer público. Você precisa ter uma fascinação prévia por robôs e monstros gigantes para curtir e, em termos de diversão, o trabalho é bem feito. E como trama, a simplificada geral dos temas desse universo deixam o longa ainda mais raso e com clima de Transformers (do primeiro), mas também fica mais fácil desligar o cérebro e curtir.

    O filme não vai marcar tanto quanto Círculo de Fogo dirigido por Del Toro e não deveria ter tentado explorar questões que eram mais interessantes antes de serem explicadas de forma rasa, mas é uma sequência bem ok, mais importante, uma ótima forma de se divertir e abre as portas para novos longas, potencialmente mais interessantes caso levem a guerra para a outra dimensão.