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    COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY

    Talvez um pouco fria, mas se trata de uma história de amor ricamente emoldurada<br />
    Por Celso Sabadin
    01/09/2010

    Na elegantíssima Paris de 1913, o maestro e compositor russo Igor Stravinsky (o dinamarquês Mads Mikkelsen) estreia sua Sagração da Primavera para um lotadíssimo Théâtre des Champs-Élysées. Dissonante e inovadora, a sessão se transforma – literalmente – num caso de polícia, tamanha a confusão, as vaias e os protestos que causa na conservadora platéia. Cerca de dez anos depois, a Sagração ganha uma nova audição, desta vez aplaudida com entusiasmo. O que teria acontecido entre uma sessão e outra? Mudou a música? Mudou Stravinsky? Mudou o mundo?

    A partir do livro de Chris Greenhalgh, o filme Coco Chanel & Igor Stravinsky retrata a década que se passou entre as duas audições da famosa peça clássica. Não de uma forma política ou social, enfocando a Primeira Guerra (1914-18) e a Revolução Russa (1917), mas sim de maneira intimista e passional, através do intenso – e não menos revolucionário - caso de amor vivido pelo compositor e pela estilista Coco Chanel (a bela francesa Anna Mouglalis).

    Já “viúva” do amante Arthur Capel, Chanel resolve patrocinar o trabalho de Stravinsky. Afinal, cada um em seu métier, ambos são artistas inquietos e inovadores, inconformados com a mesmice. Chanel, já rica com suas criações, oferece a Stravinsky, sua esposa e quatro filhos, a oportunidade de todos morarem com ela, sem custos, na luxuosa mansão que mantém na zona rural. O convívio se mostrará explosivo.

    O filme chama a atenção pela sua beleza plástica. Uma direção de arte deslumbrante reconstroi a passagem das ambientações clássicas e rebuscadas do início do século passado para o art-déco geométrico que despontaria em meados dos anos 20, sinalizando novos tempos. Fotografia e figurinos acompanham o visual com talento e precisão. O tom das emoções, porém, é contido, talvez até incondizente com a suposta natureza criativo-explosiva de seus protagonistas. Anna Mouglalis enche os olhos e brilha na tela, ofuscando – propositalmente ou não – um Mads Mikkelsen que se revela pouco ou nada carismático.

    O resultado de Coco Chanel & Igor Stravinsky é uma bela história de amor talvez um pouco fria, mas ricamente emoldurada.