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    CÓDIGOS DE GUERRA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Segunda Guerra Mundial. Campo de batalha. Assustado, um soldado pede ao colega: “Fique com a minha aliança. Se alguma coisa acontecer comigo, faça com que ela seja entregue à minha esposa.” O amigo lhe responde: “Não pense nisso. Não pense nisso nem de brincadeira.” Ou algo parecido. Quem gosta de filmes de guerra pode achar que esta cena faz parte de algum antigo dramalhão dos anos 50, ou talvez de um velho episódio do seriado de TV Combate. Nada disso. O diálogo – clichê dos clichês – está no novíssimo Códigos de Guerra, filme dirigido por John Woo, o mesmo de A Outra Face, Missão Impossível 2 e vários outros.

    Códigos de Guerra é um filme que de “novo” só tem o seu ano de produção. Basicamente, ele é uma colcha de retalhos de todos os clichês já vistos e revistos antes em inúmeros outros filmes do gênero. Seu ponto de partida – baseado em fatos reais - é até interessante: em 1943, o exército norte-americano recrutou índios Navajos para que fosse desenvolvido um código que os japoneses não conseguissem decifrar, ao interceptar as transmissões de rádio. Como o código foi todo baseado no idioma indígena, nada mais natural que os próprios Navajos fossem os responsáveis pelas transmissões e recepções. O fato gerou uma onda de preconceito em vários soldados brancos, que não aceitavam muito bem o fato de combaterem ao lado de “peles vermelhas”. Porém, todo este ponto de partida ficou diluído no roteiro escrito por John Rice e Joe Batteer (os mesmos de Contagem Regressiva). Tudo se transforma apenas em pretexto para John Woo desenvolver suas famosas pirotecnias de ação que o tornaram famoso. São corpos ensangüentados voando pelos ares em câmera lenta, balas zunindo, bombas e granadas arremessando soldados por todos os lados, num desfile de horrores que (1) pouco acrescenta ao desenvolvimento da trama e (2) ainda perde de longe para a antológica cena de abertura de O Resgate do Sodlado Ryan. Aliás, falando em Soldado Ryan, a subtrama do sargento Enders (Nicolas Cage) com a audição comprometida tentando liderar seus homens é muito parecida (até demais) com a do personagem de Tom Hanks no filme de Spielberg.

    Outra idéia “pouco nova” do filme de Woo: indígena e homem branco tentando tocar um dueto de flauta e gaita, simbolizando a união e a tolerância entre as raças. Nada menos que o ponto de partida de toda a (maravilhosa) trilha sonora de A Missão, composta por Ennio Morricone. Troca-se apenas a gaita pelo oboé. Fora isso, o filme comete pecados imperdoáveis para um super orçamento de US$ 115 milhões. Como, por exemplo, deixar que fique visível a utilização de dois bonecos na cena, onde um jipe americano capota, ou utilizar alguns aviões virtuais de movimentação pra lá de duvidosa, nos momentos de bombardeios.

    Os resultados se fizeram sentir nas bilheterias: nos EUA, Códigos de Guerra faturou poucos mais de 1/3 de seus custos.

    15 de outubro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br