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    COLATERAL

    Por Angélica Bito
    27/08/2004

    Você já pensou que estava no lugar errado na hora errada? Amaldiçoou qualquer coisa que tenha a ver com destino, ou mesmo passou a acreditar que até as coincidências estão contra você? Posso dizer que disso entendo um pouco, mas, depois de ver Colateral, tive de admitir que há pessoas (pelo menos na ficção) mais azaradas do que eu.

    Mas isso não interessa para você, caro leitor. Por isso, vamos ao que realmente interessa, o filme. O azarado de Colateral, no caso, é Max (Jamie Foxx), um honesto taxista que tenta viver sua vida como consegue. Entre uma corrida noturna e outra, ele é vítima de uma verdadeira peça do destino. Afinal, mal sabe ele que a entrada de um passageiro em seu táxi pode mudar sua vida completamente. O tal cliente é Vincent (Tom Cruise). Simpático e bem generoso, ele propõe a Max que ele o leve a alguns lugares que tem de ir antes de voltar à sua terra natal. Vendo o chumaço de dinheiro oferecido, o taxista aceita, mas logo na primeira parada ele percebe que se meteu em uma grande enrascada, mas é tarde demais: Vincent já tem Max como refém e o taxista deve terminar o serviço pelo qual foi contratado. Paralelamente, os policiais de Los Angeles saem à caça do assassino que está matando as testemunhas de um caso de tráfico de drogas na cidade.

    A premissa de Colateral pode ser um tanto quanto comum. Aparentemente, é um filme como aqueles que você vê na TV aberta toda semana. É aí que as presenças de Tom Cruise e Jamie Foxx no elenco, além de Michael Mann (O Informante) na direção, fazem a diferença. Aparentemente, Colateral é mais um filme sobre assassinatos, mas não é. Mann optou por fazer um filme sobre como se relacionam um matador profissional e um homem honesto que teme pelas conseqüências de seus atos. A postura de Vincent é extremamente profissional: ele foi a Los Angeles a trabalho e não pretende deixar que nada nem ninguém interfiram na concretização de suas tarefas. Ele é um profissional. Já Max é um taxista. Sua função é levar as pessoas aos seus destinos e receber dinheiro por isso, o que ele se recusa a fazer quando descobre o que seu passageiro faz em tais lugares. Em Colateral, a visão maniqueísta presente na maioria dos filmes hollywoodianos não existe. O filme é o duelo entre um homem cheio de princípios profissionais (Vincent) versus aquele cuja ética moral sobrepõe-se à profissional (Max). Lembrou-se das velhas aulas de filosofia? Eu também.

    E se, depois disso, você acha que Colateral é chato, digo que não é. Na verdade, apesar dessas interpretações que, provavelmente, só eu fiz (não pela esperteza, mas sim pelo alto grau de abstração), trata-se de um bom thriller de ação que não exige muitas interpretações vindas do espectador, mas merece.