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    COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ

    Filme funciona como romance e leva o público às lágrimas
    Por Julia Viana
    16/06/2016

    Como Eu Era Antes de Você, filme baseado no best-seller Me Before You, é um romance emocionante cujo título não entrega a história de cara e tampouco promete algo que não condiz com a trama, o que é raro em filmes do gênero. Já a história em si se desenvolve sem grandes surpresas. Com roteiro da estreante Jojo Moyes, autora do livro original, a trama agrada, apesar de ser bastante previsível.

    Definitivamente o filme funciona como romance e se colocarmos numa cesta todos os dramas românticos, esse se destacaria por ser capaz de levar o público às lágrimas em vários momentos, sem melodramas desnecessários. Outro acerto são as locações: o longa foi gravado no interior da Inglaterra, longe do burburinho das grandes cidades e com infinitas paisagens verdes belíssimas.

    O protagonista Will Traynor, acostumado a chamar atenção em tudo na vida, não se conforma com sua nova condição de cadeirante. Ele se torna uma pessoa amarga, mas as coisas começam a mudar quando conhece Louisa Clark, sua nova cuidadora – garota doce, de figurinos inusitados, tagarela e dona de um coração enorme. Lou, desajeitada a ponto de ser caricata, perde seu emprego em uma doceria e é contratada pela mãe do rapaz para a desafiadora função de cativar alguém que não tem mais vontade de viver.

    Depressivo, Will faz planos para encerrar sua vida, algo com o qual nem todos à sua volta concordam. Sua escolha é polêmica e pode ser considerada por muitos um erro. Contudo, a mensagem do filme pende mais para outro lado: falar sobre o direito de escolha de cada um.

    Emilia Clarke (famosa por Game of Thrones) merece crédito por sua atuação. A forma como sua personagem se relaciona com o pai, a irmã confidente e até Will Traynor é intensa e doce, destoando da forma como lida com Patrick, seu namorado do início da trama Este, pouco - ou nada - acrescenta no filme, a não ser para nos surpreender com a transformação de Matthew Lewis (o Neville Longbottom da saga Harry Potter), em galã.

    Sam Claflin (o Finnick da franquia Jogos Vorazes) não se destaca na trama. Mesmo vivendo um homem depressivo e cínico após dois anos em uma cadeira de rodas, o drama dele não pesa para o espectador e sua atuação fica aquém do esperado. Na verdade, o público sofre com o fato de sua história de amor estar fadada ao insucesso e não pelas limitações do rapaz em si.

    Aspectos como a condição de Will e esperança são usadas como pano de fundo para o amor de Lou e Will se desenvolver. Tudo é construído para o espectador se derreter pelo relacionamento afetuoso dos dois. Vemos um par escolhido para fazer grandes bilheterias, tanto pela beleza quanto pela química entre eles, mas sem levar consideração a imobilidade do rapaz.

    Entretanto, Thea Sharrock, em sua estreia na direção de longas, abusou de estereótipos e deixou escapar a chance de explorar os interessantes contrastes do casal, o qual acaba caindo no senso comum: jovem rico x moça pobre; cara rude x menina meiga; homem intelectual x garota pop. Esse último aspecto é bem representado pela boa trilha sonora da produção.

    O relacionamento dos dois é construtivo, mantendo o interesse do espectador na narrativa do começo ao fim. O rapaz, erudito, ao menos tem o papel de impulsionar Lou a sair de sua zona de conforto, enquanto ela traz a leveza necessária para a trama. Independentemente do rumo do romance, uma coisa é óbvia: Will, literalmente preso à cadeira de rodas, é quem dá asas à jovem protagonista.