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    COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2

    Animação defende amizade e o valor do perdão
    Por Ana Carolina Addario
    18/06/2014

    Há filmes que são feitos para emocionar. Intencionalmente. Como Treinar O Seu Dragão 2 não é uma deles, mas você sairá de sua sessão com os olhos cheios de lágrimas, pois com certeza será tocado pela evolução de seus personagens. Visualmente encantadora, a animação discute a transformação da natureza (não só) humana a partir dos valores construídos por meio da amizade. 

    Cinco anos mais velho, Soluço não é mais um garoto indefeso e pressionado pelo pai, que busca com determinação provar que existem outras maneiras de enxergar o mundo. Agora, o que vemos é um jovem treinador de dragões cujas experiências o elevaram a outro nível e continua tentando ensinar as pessoas a ver a vida de um jeito mais doce. Acontece que nem todo mundo é tão compreensivo como ele gostaria.

    Na trama, Soluço e a namorada Astrid encontram um forte de caçadores de dragões durante um de seus vôos para mapear o entorno de sua aldeia. Ao descobrir que existe outro homem capaz de treinar as criaturas, mas com intenções um tanto nefastas, Soluço sai em sua busca para tentar convencê-lo de que existe amizade entre homens e dragões. É quando ele desperta a ira do vilão, que agora pretende destruir toda a aldeia de Berk para ser o único homem no mundo capaz de dominar dragões.

    Por que dominar essas criaturas se podemos tê-las como aliadas? Por que oprimir aqueles que podem se tornar bons amigos? O discurso implícito do primeiro título sobre o mal do pensamento dominador permanece neste filme. A dinâmica que a relação de Soluço e Banguela quebrou no longa de estreia é questionada pela figura do maléfico Drago, um vilão essencialmente mau. É do embate entre eles que a história encontra oportunidade para dar suas lições sobre amizade, lealdade e perdão. A mensagem é valiosa.

    Se no primeiro filme, parte da graça envolvia a descoberta de Soluço sobre como treinar as criaturas mortais, agora a beleza está exatamente no entrosamento entre ele e Banguela. O jovem viking com vocação para desbravador sobrevoa o oceano mapeando toda civilização que cerca sua aldeia, quando descobre as belezas da tal Caverna Gelada e sua poderosa guardiã: a carismática mãe de soluço. A partir daí, o espectador passa a conhecer um universo fantástico.

    Visualmente, Como Treinar o Seu Dragão 2 oferece uma experiência primorosa, potencializada pela projeção em 3D. Assim como o próprio Soluço, o diretor Dean DeBlois parece ter se apaixonado ainda mais pelas criaturas de seu filme, e o que vemos na tela é uma bela e colorida variedade de dragões, desde os grandes alfa até os fofos filhotes. E melhor: além de lindos, os dragões possuem elementos tão emocionais quanto os humanos. Impossível não se apaixonar por todos eles.

    Mas nem todos pensam assim. "Mesmo seres verdadeiramente bons, se dominados por pessoas más, podem fazer coisas ruins", Valka ensina a seu filho em determinado momento. É com perdas substanciais que Soluço aprende que o mundo não é ingenuamente bom como ele espera. Mas é a partir daí que ele vê seu melhor amigo Banguela evoluir na busca pelo desejado equilíbrio entre seus instintos e a relação que criou com seu treinador.

    Acrescentando complexidade aos questionamentos de seu predecessor, Como Treinar o Seu Dragão 2 aborda a conhecida passagem da adolescência para a vida adulta de um garoto disposto a melhorar o mundo. Com passagens inspiradas, a produção mostra que muitas vezes a vida se revela mais dura do que nossa boa intenção supõe. Eis uma animação com poder para divertir e emocionar adultos e crianças.