cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    CONEXÃO ESCOBAR

    Longa apenas toca superfície de operação contra cartéis
    Por Daniel Reininger
    12/09/2016

    Conexão Escobar volta a colocar Bryan Cranston em meio a cartéis de drogas e chefões do tráfico. Mas, ao contrário de Breaking Bad, no qual o ator produzia e vendia drogas por interesse próprio, nesse filme ele é um agente infiltrado do governo norte-americano.

    A trama é baseada no livro escrito pelo ex-agente Robert Mazur, oficial que trabalhava disfarçado para ajudar a derrubar os cartéis. Cranston interpreta Mazur quando o policial se fez passar por Bob Musella, especialista em lavagem de dinheiro, que lentamente abre seu caminho até o topo da organização de Pablo Escobar nos anos 80.

    O longa começa bem ao mostrar o fim de uma operação conduzida por Mazur. Cranston sente-se em casa no papel, graças a algumas similaridades com Walter White de Breaking Bad. O problema é que a trama não demora para se perder em situações genéricas e clichês, enquanto o enredo desinteressante sofre com a falta de um antagonista claro.

    Mazur passa boa parte do tempo atrás do Banco de Crédito e Comércio Internacional, que esconde dinheiro do narcotráfico colombiano. Só que isso faz com que os "inimigos" sejam apenas executivos engravatados. Enquanto isso, os traficantes são humanizados ao ponto de quase perderem o status de vilão, especialmente Roberto Alcaino (Benjamin Bratt), o que, em geral, poderia ser algo positivo, se essas relações fossem aprofundadas de alguma maneira.

    Por isso, o longa parece completamente perdido em suas intenções. A indecisão de como tratar os traficantes, aliado às situações genéricas nunca realmente aprofundadas, típicas do gênero de infiltração, como a esposa cansada de lidar com um marido ausente e de vida misteriosa, a tensão do protagonista de agir como outra pessoa o tempo todo e a insegurança da policial novata em nada ajudam a fazer com que Conexão Escobar realmente decole e se destaque.

    Além da falta de aprofundamento de absolutamente todas as questões levantadas pelo roteiro, o longa ainda sofre com a incapacidade de realmente surpreender e até mesmo as violentas mortes passam a perder impacto conforme a trama avança. A questão é que nada realmente importa enquanto a história evolui até o esperado clímax e cada uma das situações apresentadas tem pouco ou nenhum impacto real na narrativa.

    Embora o longa apenas toque a superfície da operação que ajudou a derrubar os cartéis e não mostre como tudo realmente funcionava, é a boa atuação de Cranston e o clima de tensão de algumas boas cenas que salvam essa obra, mesmo que apenas o suficiente para valer o ingresso do cinema num fim de semana de poucas opções. E, é claro, quem sente falta de Breaking Bad tem aqui a oportunidade de matar a saudade de Walter White.