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    CONSPIRAÇÃO E PODER

    Filme aborda lado crítico e parcial do jornalismo
    Por Iara Vasconcelos
    24/03/2016

    No Oscar desse ano, Spotlight - Segredos Revelados levou a estatueta de melhor filme ao retratar a história de um grupo de jornalistas do Boston Globe, que trouxe à tona milhares de casos de pedofilia envolvendo membros da igreja católica. Agora, Hollywood aposta novamente em um drama envolvendo o mesmo tema com Conspiração E Poder.

    Na trama, Cate Blanchett vive a produtora da CBS Mary Papes, que junto com o âncora Dan Rather (Robert Redford) e a equipe do jornalístico 60 minutes, resolve investigar se o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, teria sido privilegiado para não lutar na guerra do Vietnã.

    Eles entram em contato com diversas fontes que serviram na mesmo época que Bush e reuniram material suficiente para levar o caso ao ar, mas isso desperta a ira do poder constituído, que faz de tudo para tirar a credibilidade da matéria. E conseguem. Depois de ir ao ar, a matéria é criticada e a veracidade dos documentos apresentados é posta em xeque. Não demora muito para que a equipe seja acusada de estar envolvida em um jogo político e sua carreira na CBS começa a corroer.

    O filme questiona até que ponto o jornalismo consegue ser imparcial quando os principais canais de televisão, que detém a maior parte da audiência, precisam do dinheiro de grandes corporações para manter-se sempre no topo. Em uma das cenas, Dan Rather revela que o jornalismo se tornou importante quando descobriram que ele podia render dinheiro. A face mais obscura da profissão também já foi mostrado anteriormente, como em O Abutre e 118 Dias.

    Outra boa sacada de Conspiração e Poder é que ele mostra três jornalistas com dilemas diferentes: Mary Papes é uma jornalista que precisa enfrentar o machismo da indústria; Rather é o veterano competente, mas idealista, que tem um olhar inocente sobre a profissão. Já Mike Smith é um jovem libertário, que recusa a se vender ao jornalismo comercial.

    Mesmo sendo comparado a Spotlight, o filme aborda um lado muito mais crítico sobre o jornalismo, seja na precariedade das condições de trabalho, seja na falta de parcialidade - ou pela escolha do "aliado" errado. Com atuações competentes, e um roteiro preciso, sem enrolações, Conspiração e Poder mostra como a informação tem o poder de mover massas e mudar situações - como quase acabar com uma eleição - assim como a capacidade de criar mocinhos e vilões a seu bel-prazer.