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    CONTÁGIO

    Apesar do tema envolvendo perdas humanas, longa é surpreendentemente sem suspense ou emoção<br />
    Por Roberto Guerra
    27/10/2011

    Ao assistir a Contágio, nota-se claramente a intenção de Steven Soderbergh de fazer um novo Traffic. Neste, personagens realistas em tramas paralelas desenham um panorama do tráfico de drogas nos Estados Unidos. Em Contágio, Soderbergh usa a mesma técnica multiplot para mostrar o que aconteceria se um vírus mortal causasse uma epidemia global. O problema, no caso, é que o filme não apresenta a regularidade de Traffic nem uma curva dramática sólida. É como um avião a taxiar na pista sem nunca decolar.

    A produção carece de investimento emocional e assemelha-se a um desses documentários que assistimos no Discovery Channel. Retrata um surto viral com potencial para acabar com a humanidade, mas é surpreendentemente sem suspense ou emoção. Tudo parece servir ao propósito único de mostrar quão importantes são para a humanidade os órgãos de controle de epidemias do governo americano. Não à toa, fiquei surpreso ao ler por aí que Contágio é um "filme de terror inteligente", um thriller. Pura bobagem. Soderbergh ainda engana muita gente. A mim, não.

    O filme começa com a personagem interpretada por Gwyneth Paltrow voltando de uma viagem a Hong Kong. Antes de voltar para o marido (Matt Dammon), faz uma breve escala em Chicago para visitar um antigo namorado. Ao chegar em casa apresenta sintomas do que parece ser uma gripe. Um dia depois é levada às pressas para o hospital tendo convulsões. Minutos depois é declarada morta.

    A partir daí o filme passa a se concentrar num grupo de cientista tentando encontrar uma maneira de neutralizar o vírus, enquanto a doença faz inúmeras vítimas em todo o mundo e a histeria toma conta da população.

    Paralelamente, temos algumas tramas pouco críveis - como a do repórter de caráter duvidoso (Jude Law), que usa seu blog para liderar uma revolta popular - e outras mal resolvidas, como a de um grupo de chineses que sequestra uma funcionária da ONU para conseguir vacinas.

    Contágio tenta ser diferente, mas é um filme sem identidade. As diversas tramas são mal alinhavadas e o roteiro peca em dar espaço a pequenas histórias que não acrescentam nada. Um filme sem emoção e sem reflexão. Soderbergh reunindo seus famosos amigos a troco de nada.