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    CONTRA TODOS

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Existem muitas formas de violência: a física, a psicológica, a social. Contra Todos, longa de estréia do diretor Roberto Moreira, usa uma família suburbana paulistana para mostrar ao espectador todas essas formas de violência. Como um tapa na cara, o filme se desenvolve sobre personagens marginalizados socialmente, que sofrem um processo de desumanização a cada ato.

    Entre becos, margens de córregos, ruas sem asfaltos, bancos de ônibus coletivos e uma casa cheia de souvenir e azulejos cor-de-rosa, vivem o pai Teodoro (Giulio Lopes), sua filha adolescente Soninha (a estreante Silvia Lourenço), e sua segunda mulher, Cláudia (Leona Cavalli). A realidade dessa família é sustentada por mentiras: Teodoro, que posa de religioso, tem um caso com sua companheira de culto Teresinha (Martha Meola). Cláudia também é infiel e o trai com Julio, o filho do açougueiro que freqüenta sua casa, assim como Waldomiro (Ailton Graça). Quando um misterioso assassinato acontece, Cláudia abandona o marido e a enteada, o que desencadeia uma série de situações que explicita a decadência da família.

    Contra Todos é um filme visceral, honesto e realista. Acompanhando a tendência de filmes como Amarelo Manga (também com a ótima Leona no elenco), este longa explicita a violência e a decomposição da alma daqueles submetidos à constante humilhação que é viver no limite da sobrevivência. A trama é centrada em uma casa suburbana, na periferia de São Paulo, como milhares. Com interpretações tão reais quanto as situações que acontecem em Contra Todos, esse drama assusta exatamente por sua violência ser comum e recorrente nas páginas dos jornais. A verdade desse filme é muito mais honesta do que estamos acostumados a ver, inclusive fora das telas de cinema. Para os que freqüentam cineclubes e pagam mais de dez reais por um ingresso de cinema - público em potencial de Contra Todos -, o longa funciona como uma sacudida, jogando na cara do espectador todas essas formas de violência, mostrando também que há muita coisa acontecendo na periferia da cidade, em um clima "cada um por si e Deus contra todos".

    Na verdade, percebe-se que o objetivo de Contra Todos não é alertar a sociedade ou qualquer coisa do gênero. Não há um discurso engajado ou mesmo maniqueísta. Na verdade, o filme foi feito para incomodar, despertar o espectador de uma forma que poucos filmes conseguem. Não à toa, colecionou prêmios nos festivais onde passou.