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    CONTROLE ABSOLUTO

    Por Celso Sabadin
    26/09/2008

    Dentro da tradição hollywoodiana de que "nada se cria, nada se perde, tudo se refilma", Controle Absoluto é um verdadeiro barril de referências. Sua cena inicial remete a Jogos de Guerra. Prossegue abordando o mesmo tema de A Conversação (que mais tarde seria revisitado em Inimigo do Estado), oferece uma perseguição claramente inspirada em Operação França e termina quase igualzinho a O Homem que Sabia Demais. Cópias? Talvez, se o autor do filme fosse eu ou você, mas, como a produção é de Steven Spielberg, a palavra certa é "referências".

    Envolvente e bem dirigida, a trama se centraliza em duas pessoas comuns que, de um minuto para o outro, são jogadas no centro de uma mega intriga internacional que pode culminar numa hecatombe política. Jerry (Shia Labeouf, de Transformers) é um eternamente endividado operador de máquinas copiadoras. Ele trabalha numa loja que se chama Copy Cabana, uma patética tentativa de fazer um trocadilho com Copacabana. E Rachel (Michelle Monaghan, de O Melhor Amigo da Noiva) é uma mulher divorciada que tem problemas com o ex-marido e se esforça ao máximo para cuidar do filho. Gente como a gente. Até o momento em que o minúsculo apartamento de Jerry aparece lotado de pesados armamentos bélicos e Rachel recebe a notícia que seu filho está sendo monitorado e pode ser morto a qualquer instante. Por quê? Por quês? Só vendo o filme para saber.

    Mesmo revestido de uma fortíssima embalagem de filme de ação (com direito a todas as perseguições, correrias e explosões que o gênero exige), Controle Absoluto levanta duas questões, no mínimo, interessantes e inquietantes. A primeira - já abordada nos citados A Conversação e Inimigo do Estado - enfatiza o conceito de total monitoramento eletrônico/ virtual que vivemos atualmente. Tudo o que está na rede pode (e será) monitorado por quem se dispuser a isso. Incluindo celulares, computadores, pagers, luminosos publicitários, semáforos, câmeras de segurança, rádios, televisões e internet. A palavra "privacidade" está definitivamente apagada da nossa era. O segundo tema, mais político, dá conta de que a maior ameaça terrorista contra governo dos Estados Unidos é formada por ninguém menos que... O próprio governo dos Estados Unidos. Sim, porque foram eles mesmos que criaram a paranóia do 11 de setembro e estão até hoje tentando por a culpa nos árabes. Mas sobre este aspecto é melhor não falar muito, para não tirar as surpresas do filme.

    Idealizada pelo próprio Spielberg, a história de Controle Absoluto ficou vários anos em desenvolvimento porque, no momento de sua criação, o tema parecia mais ligado à ficção científica que propriamente à realidade. Porém, com o rápido desenvolvimento da tecnologia, as modernidades que a trama propõe já são muito mais aceitáveis. O próprio Spielberg dirigiria este filme, mas a direção acabou sendo entregue a D.J. Caruso (de Paranóia e Roubando Vidas, entre outros).

    Já que os executivos dos estúdios costumam chamar "filme" de "produto", pode-se dizer que Controle Absoluto tem um ótimo posicionamento mercadológico, pois acaba agradando a dois tipos de público bem distintos: tanto aquele que só curte o entretenimento do corre-corre e do ritmo alucinante dos filmes de ação, como também aquele que gosta de ler nas entrelinhas e sacar alguns recados mais implícitos.

    Ainda no campo das referências, se você achou que a trama tem algo a trilogia Bourne, estrelada por Matt Damon, uma informação: pelo jeito, os produtores também acharam. Numa rápida cena, percebe-se que o nome completo do personagem principal é Jerry Damon Shaw. Mea culpa?