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    COPACABANA (2001)

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um passeio romântico e nostálgico pelo século 20, pelo calçadão de Copacabana. Assim pode ser definido o novo filme de Carla Camurati que leva justamente o nome de um dos bairros mais famosos do País: Copacabana (não confundir com o homônimo estrelado por Groucho Marx e Carmen Miranda, em 1947).

    De maneira poética e extremamente nostálgica, Carla convida o espectador para uma viagem que mescla sonhos, lembranças, ficção e realidade. Tudo é narrado sob o ponto de vista de Alberto (Marco Nanini, ótimo), um fotógrafo que passa sua vida a limpo no dia de seu nonagésimo aniversário. A idade avançada faz com que ele misture o passado com o presente. É exatamente sob essa ótica embaçada pelo tempo que o roteiro conduz a platéia para momentos de lirismo, humor, paixão e gozação.

    Não é por acaso que o personagem central é um fotógrafo. O filme é como um antigo álbum de retratos, folheado em ordem aleatória. Alberto relembra bailes de antigos carnavais, a inauguração do mítico Hotel Copacabana Palace (onde o pai da diretora trabalhou como confeiteiro), seu primeiro ato sexual (a única cena em que a direção escorrega no mau gosto), grandes amores, farras, amigos. Porém, ao contrário do que se poderia supor, Copacabana não é um filme amargo. As lembranças de Alberto saltam da tela de maneira vigorosa, alternando alegrias e tristezas e felizmente sem escorregar no desgastado discurso de que “antigamente era melhor”. As reflexões sobre a terceira idade não vêm recheadas de remorsos ou rancores, mas sim de uma saudável ironia que proporciona ao público pequenos sorrisos e grandes pensamentos.

    Copacabana pode não ser tão arrebatador quanto Carlota Joaquina. Mesmo porque não se pode exigir de Carla Camurati que ela realize um “renascimento” do cinema brasileiro a cada novo filme seu. Mas é um trabalho maduro, sensível, muito bem interpretado, digno do prestígio da cineasta e da qualidade alcançada pelo atual estágio do cinema brasileiro. Merece ser conferido, de coração aberto.

    Um único senão: repetir o “rap” de abertura por mais duas vezes, durante o filme, torna-se cansativo para os ouvidos. Um pequeno pecado diante de um grande filme.

    2 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br