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    CÓPIA FIEL

    Kiarostami dirige Julitte Binoche num dos melhores papeis de sua carreira<br />
    Por Heitor Augusto
    16/03/2011

    Em Cópia Fiel, Abbas Kiarostami fez um filme com dois personagens que passam 106 minutos discutindo a relação de 15 anos. Ele (William Shimell) está na Itália para apresentar seu livro Copia Conforme, que acaba de ganhar o prêmio de melhor obra em língua estrangeira. Logo no início da conferência sobre a obra, Ela (Juliette Binoche), dona de uma galeria de arte, entra na sala. Eles se conhecem?

    Cópia Fiel é cheio de camadas, o que supostamente o tornaria hermético. Pelo contrário, Kiarostami conseguiu realizar um filme leve como uma pena que se deixa guiar pelo primeiro vento que aparece. Parece contraditório, mas sua leveza é justamente o que proporciona uma imersão nos personagens e nas suas representações arquetípicas. Fala-se de coisas humanas, com uma estrutura de labirinto, mas com um texto divertido. Tem-se um filme formalmente instigante, mas fácil de ser acompanhado.

    Ele e Ela se perguntam: o que é original? A cópia é melhor do que o original? Quem determina isso, o realizador ou quem empresta seu olhar a algo? Onde enfiamos nossas certezas quando descobrimos nossas contradições e complexidades? Na temática, Cópia Fiel é uma eterna (e muitíssimo divertida) discussão de relação. Na forma, Kiarostami promove um jogo de espelhos digno dos grandes momentos de Orson Welles.

    Num certo momento, Ele diz que “o que importa é olhar sobre um tema, não o tema em si”. Sim, muitíssimas ciosas já foram ditas pelo cinema, mas Kiarostami mostra que ainda é possível observar por uma outra perspectiva para uma história repetida inúmeras vezes: a relação de duas pessoas que, após 15 anos de relação, ainda tem muito a discutir.

    Cópia Fiel poderia ter sido um filme com uma lição de moral (“o que importa na vida é a simplicidade”), mas surpreende ao colocar seus personagens em constante contradição e questionamento. Nem as lindas paisagens da região da Toscana disfarçam a corrosão.

    Uma menção à atuação de Juliette Binoche: já vimos a francesa em diversos bons papeis – o mais recente talvez seja Horas de Verão –, mas ainda há mais a descobrir. No drama de Kiarostami, Binoche honra a Palma de Ouro ganha em Cannes com uma personagem repleta de altos e baixos. Uma personagem espelho para tantas outras mulheres da sua idade.