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    CORAÇÕES DE FERRO

    Terror da guerra é visto pelos olhos de tripulação de tanque
    Por Daniel Reininger
    04/02/2015

    Corações de Ferro não mostra nenhuma batalha vital para a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, nem mesmo foca na evolução gradativa do conflito, apenas segue uma tripulação de tanque totalmente abalada pela violência, enquanto cada um deles tenta sobreviver aos últimos dias do evento mais sangrento da humanidade. Embora a paz esteja próxima, a resistência nazista é pesada e os veículos americanos não são páreo para os blindados alemães. Como consequência, o perigo para Brad Pitt e sua tripulação continua tão grande quanto no auge dos combates, e essa tensão combinada com a ansiedade pela volta para casa conduz o filme.

    Don "Wardaddy" Collier (Pitt) lidera uma tripulação veterana que atravessou a África e a Europa em um tanque chamado Fury. A escolha de mostrar a história desses homens sem tom épico foi acertado; conhecemos a equipe logo após um de seus membros ser morto. Todos discutem, um joga a culpa no outro enquanto tentam voltar à segurança de sua base, oportunidade para conhecermos melhor esses personagens complexos e destruídos pelo terror do combate.

    O restante da equipe é composta por Trini Garcia (Michael Peña), o motorista beberrão, Boyd Swan (Shia Labeouf), um soldado temente a Deus, e Grady Travis (Jon Bernthal), o mecânico valentão e bastante agressivo. Os traumas de seus dias de batalha estão marcados em seus rostos e, por isso mesmo, não levam nada bem o fato do exército obrigá-los a suportar Norman Ellison (Logan Lerman), novato sem experiência em combate que substitui seu companheiro morto. É pelos olhos de Norman que conhecemos melhor a tripulação.

    O filme funciona, em grande parte, devido às boas atuações. Destaque para Pitt, ótimo como comandante obrigado a tomar decisões difíceis para manter seus homens vivos. Como vimos em Bastardos Inglórios, ele convence ao dar ordens a soldados, mas seu personagem se torna interessante mesmo quando o vemos como um combatente exausto e sem propósito além da vida no tanque. Jon Bernthal também manda bem, afinal sabe como intimidar seus companheiros, mas, aos poucos, entendemos melhor os motivos do personagem agir dessa forma. Até mesmo o jovem Logan Lerman consegue segurar a onda.

    O maior problema do filme é o roteiro. As batalhas não são muito empolgantes e algumas cenas simplesmente não funcionam. Por exemplo, quando Pitt e Lerman entram na casa de duas garotas alemãs e passam a aproveitar de sua hospitalidade forçada. Eles começam a se aproximar amistosamente delas, somente para serem interrompidos pelo resto da equipe, que passa a provocar e agredir a todos. É aí que a produção se perde: cenas longas demais e sem propósito claro.

    Além disso, Corações de Ferro não mostra nada realmente novo sobre a guerra e deixa um sentimento de que já vimos tudo aquilo antes. Sua melhor característica é o desenvolvimento dos personagens e o realismo do conflito, porém esse mesmo realismo é completamente ignorado na batalha final, quando a vontade de produtores se faz valer e o filme ganha ares de longa de super-heróis, com uma batalha absurda e diferente de tudo apresentado até então. Esse é, talvez, o momento mais "diversão pipoca" da produção, hora de desligar o cérebro e aproveitar a ação, porém apenas deixa clara a necessidade de Hollywood de criar situações épicas e exageradas mesmo quando a narrativa tenta fazer o oposto durante 90% de sua duração.