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    CORAÇÕES LIVRES

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Em 1995, os cineastas dinamarqueses Lars Von Trier e Thomas Vinterberg criaram o Dogma, uma espécie de movimento cinematográfico naturalista que pregava uma série de regras a fim de combater qualquer tipo de intervenção do cineasta nas locações. Iluminação natural (sem refletores ou coisas do gênero); câmera digital na mão; nada de sonoplastia, filtros ou trabalhos óticos; o diretor do filme não deve receber créditos. Essas são algumas das regras criadas pelos diretores. O resultado? Filmes que beiram ao indigesto, como Os Idiotas e Festa de Família (ambos de 1998).

    Os cineastas continuaram na ativa e os preceitos do Dogma ainda são utilizados por alguns cineastas, mas com menos rigor. Ainda bem. É este o caso de Corações Livres, dirigido por Susanne Bier em 2002 que, apesar de ter aplicado algumas regras desse movimento em seu filme, fez um trabalho que fica longe do rigor naturalista de seus precursores. Ponto para ela.

    Corações Livres contra a história de Cæcilie (Sonja Richter), uma bela jovem que namora Joachim (Nikolaj Lie Kaas). Ele acabou de pedi-la em casamento e os dois parecem ser bem felizes, até que ele é atropelado e fica tetraplégico. No hospital, Cæcilie bem que tenta continuar o relacionamento, mas Joachim, querendo poupar a namorada, resolve afastá-la. Carente, ela desenvolve uma amizade com o médico Niels (Mads Mikkelsen). Detalhe: ele é o marido de Marie (Paprika Steen), a mulher que atropelou Joachim.

    O filme mostra uma série de personagens carentes, infelizes, que estão sempre à procura de um conforto. No entanto, não há nada de dramalhão em Corações Livres. É um filme simples e triste, porém, mais digno do que seus personagens até. A ironia das situações que se passam nesse filme não beira o humor negro, muito pelo contrário: sua dramaticidade faz com que pensemos que a vida é realmente irônica demais para que possamos entendê-la. Sem aquela visão maniqueísta típica dos filmes hollywoodianos, Corações Livres é simples e, por incrível que pareça, leve o suficiente para ser digerido e absorvido em uma tarde com pipocas. Muito mais digerível do que os primeiros filmes do Dogma.