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    CORAÇÃO DE LEÃO: O AMOR NÃO TEM TAMANHO

    Romance se esforça, mas é mais do mesmo
    Por Gustavo Assumpção
    18/06/2014

    Logo nas primeiras cenas de Coração De Leão: O Amor Não Tem Tamanho, a sensação é que estamos assistindo a uma comédia romântica tradicional: há uma situação inusitada, uma dupla de protagonistas bem escolhida, cenas bem-humoradas e uma certa dose de conflito. Entretanto, basta o longa progredir para percebermos que não estamos diante de qualquer filme do gênero.

    Sucesso de público na Argentina – Coração de Leão levou mais de um milhão e meio de espectadores aos cinemas - o longa trata de temas complicados com certa leveza, sempre se esforçando para não cair nem na pieguice costumeira do gênero, nem nas situações exageradamente constrangedoras que caracterizam os besteiróis. Em partes o filme consegue, principalmente graças ao casal protagonista.

    Ivana (Julieta Díaz) é a típica mulher bem sucedida e mal amada. León (Guillermo Francella) é um charmoso, galanteador e rico homem de meia-idade, nascido com uma pequena diferença: mede apenas 1,35m. Atencioso e sedutor, León conquista aos poucos o coração de Ivana, oferecendo tudo o que ela parece nunca ter recebido em seus relacionamentos anteriroes: carinho, amor, companheirismo.

    Mas há outro fator aí, sugerido por um dos personagens: "ele é um anão. Um anão rico!". Embora o tema apareça aqui e ali, a discussão sobre a condição financeira do personagem ser decisiva para o romance nunca ganha os holofotes, talvez uma das sutilezas mais interessantes do roteiro.

    É fato que o longa merece elogios por trazer um personagem nada convencional para o papel de protagonista e está aqui justamente sua grande marca. Há, inclusive, várias cenas mostrando as dificuldades enfrentadas por León. O problema é que essas sequências falham no tom e não conseguem nem fazer rir e nem provocar maiores questionamentos. Falta combatividade ao humor presente aqui.

    Porém, é nos momentos de maior profundidade que Coração de Leão cresce. Em determinada cena, pai e filho conversam sobre o passado e o filho confidencia que o único motivo pelo qual nunca se importou em ter um pai baixinho, quase anão, foi o fato do próprio León nunca ter deixado transparecer que isso o incomodava.

    A sequência, comovente, mostra que a grande tentativa do diretor Marcos Carnevale (responsável também por Elsa E Fred - Um Amor De Paixão, sucesso inesperado de público no Brasil) é dosar sensibilidade e realidade dentro do que permite a estrutura tradicional das comédias românticas.

    Aqui, porém, há um descompasso: quando cai no discurso "todos temos defeitos", o filme perde a oportunidade de ir além e se tornar uma investigação sobre o preconceito, caindo na cartilha daquilo que parecia exatamente evitar: o politicamente correto.