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    CORINGA

    Coringa é uma aula de adaptação que incomoda e deixa você mexido
    Por Diego Canha
    27/09/2019

    A coragem de mexer com o Coringa já era louvável desde o início desse projeto. Tanto a ousadia de Todd Phillips em encarar um filme solo de vilão, ainda mais do possível maior vilão da cultura POP; quanto o desafio de Joaquin Phoenix em assumir um papel que ficou eternizado com Heath Ledger. E o longa é uma porrada, de sair tremendo do cinema. Ele incomoda e deixa você mexido seja pela violência ou pelas mensagens indiretas que estão ali.

    Coringa conta a origem do vilão do Batman. Onde conhecemos Arthur Fleck, um aspirante a comediante fracassado com uma condição mental que o faz rir em momentos inoportunos. Quando a sociedade falha com o ser humano, sua base familiar é uma tragédia, é possível salvar essa pessoa? Para Arthur não! E essa trajetória é muito bem contada no longa.

    Ninguém espera uma atuação mediana de Phoenix e ele corresponde as expectativas geradas nos trailers entregando a versão mais cruel de um Coringa que já vimos em live-action. O constrangimento enquanto as coisas vão dando errado é tamanho que lembro de só sentir algo assim vendo The Office original, o britânico. Você deseja que a cena acabe e o que o sentimento de "isso aqui vai dar merda" diminua, mas só aumenta até a "criação do Coringa". A atuação dele é tão acima que os outros atores parecem apenas figurantes, nenhum outro personagem consegue ganhar luz no filme.

    A maior crítica que o filme tem sofrido é compreensível: uma parcela dos críticos tem salientado como o filme pode reforçar comportamentos hostis ou dar força aos incels (supremacistas homens héteros que disseminam ódio pela internet). Coringa em nenhum momento glamouriza ou tenta colocar o vilão como alguém a ser seguido, muito pelo contrário, o filme evidencia seus problemas mentais e não esconde o lado sombrio do personagem. Mostrar que uma parte da população de Gotham apoia o palhaço só deixa a questão mais densa: até onde o povo aguenta ser maltratado pelos poderosos? Qual é o limite da paciência das minorias cansadas das mazelas?

    A versão final do Coringa que nos é entregue é o mais perto das melhores (piores) versões do personagem nos quadrinhos. Anárquico, caótico e completamente imprevisível. A qualquer segundo uma nova ideia pode surgir na cabeça do Palhaço e nada do que foi planejado antes acontece. Isso fica claro em duas sequências do filme e é maravilhoso.

    Porque esse é o grande acerto do filme. É uma aula de adaptação. É mostrar que você pode respeitar o cerne do personagem e ainda assim descaracterizar todo o entorno, sua origem, sua relação com o Batman. Você pode fazer uma versão do Coringa o mais distante possível dos quadrinhos e ao mesmo tempo manter o personagem fiel a quem ele é na obra original.

    Infelizmente Phillips não parece convencido de que haverá continuação e já adiantou que esse Coringa não deve encontrar um Batman. Que pena! Eu gostaria muito de ver uma adaptação de A Piada Mortal com o Palhaço tentando mostrar que até a pessoa mais honrada, como o Comissário Gordon, pode quebrar se viver o pior dia da sua vida.

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