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    CORRA!

    Por Daniel Reininger
    02/03/2018

    Durante a maior parte de Corra!, os espectadores aguardam o momento em que aquela situação incômoda descambe para a violência. É exatamente a forma como o diretor brinca com as expectativas e causa uma sensação de impotência diante de uma situação esquisita, mas sem motivos reais de preocupação, só para nos surpreender novamente depois, que faz desse filme algo tão bom.

    O longa aborda assunto complicado como racismo de forma intensa e divertida. Com pesadas críticas sociais e culturais costuradas de forma intrínseca com a trama, é um filme extremamente ambicioso, aterrorizante, repleto de sarcasmo e com atuações inspiradas, mas que nunca deixa de entreter.

    Escrito e dirigido por Jordan Peele, conhecido por roteiros de séries de comédia, deixa o gênero de lado para criar um grande suspense, capaz de abusar da atmosfera de horror, gerar sustos e se aproveitar de situações simples e aflitivas como celulares sem bateria. A tensão é mantida a cada cena, especialmente pela bizarrice dos personagens. Você sabe que algo estranho acontece ali, mas você não tem certeza exatamente do que.

    Só que o filme também sabe ser engraçado quando quer, ao contar a trama de um homem negro que visita a família rica de sua namorada branca. O conceito vai um passo mais longe do que você poderia esperar e algo de sinistro está realmente acontecendo ali.

    Corra! captura com maestria a experiência de ser o forasteiro numa mesa de jantar, enquanto os anfitriões o interrogam implacavelmente. Só que aqui temos uma versão mais sinistra dessa experiência, que todos já passamos, ainda mais por pesar na questão do racismo.

    As coisas ficam ainda mais estranhas graças aos empregados da família, Georgina, a governanta, e Walter, o jardineiro, ambos sempre lá ao fundo e sempre soltando frases racistas ou agindo de forma suspeita. As atuações dos atores Betty Gabriel e Marcus Henderson são profundamente perturbadoras e convincentes. Aliás, todo o elenco faz um bom trabalho e ajuda a manter o clima de bizarrice.

    O longa usa essas metáforas para tratar desse preconceito sutil e violento da vida real, algo que muita gente faz e nem percebe como estão sendo extremamente racistas. Toda a narrativa é intensa e a conclusão vale cada risada desconfortável e momento de aflição. A trama flerta com a comédia - por causa do diretor - suspense, terror psicológico e drama. Tudo sem perder o foco, sempre com uma narrativa fluída. Não à toa esse longa foi escolhido como o Melhor Filme de 2017 pelo Cineclick.