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    CORRENTE DO MAL

    Terror à moda antiga tem assinatura vintage e vilão inusitado
    Por Edu Fernandes
    26/08/2015
    8/10

    CORRENTE DO MAL

    14
    Terror

    O primeiro passo para um bom filme de suspense é uma premissa com criatividade. Nesse sentido, Corrente Do Mal traz um vilão inusitado e uma dinâmica que é ao mesmo tempo única e familiar.

    O longa acompanha a jovem Jay (Maika Monroe), que está em um relacionamento com Hugh (Jake Weary). O casal sai para namorar e tem sua primeira noite de sexo. Em seguida, Jay se vê presa a uma cadeira e o rapaz explica a maldição que acabou de passar a ela: a partir de agora, uma entidade invisível aos outros a seguirá. Aos olhos dos infectados, o ser parece uma pessoa, mas pode adotar a forma de diversos seres humanos de idades, tamanhos e gêneros diferentes.

    Enquanto isso, Jay também é informada de que terá de permanecer sempre alerta, uma vez que só há dois desfechos possíveis: ou a entidade a mata de forma sangrenta e volta a perseguir Hugh, ou a moça tem relações sexuais com outra pessoa e passa a sina adiante. Não demora para a protagonista perceber que a perseguição sobrenatural é real e ameaçadora. Ela se une a alguns amigos para tentar achar uma solução e entender melhor o problema.

    Com a premissa criativa garantida, Corrente do Mal ganha ainda mais personalidade ao apostar em um suspense à moda antiga. A entidade caminha lentamente, como os assassinos de filmes de décadas passadas. A tensão é construída pela movimentação da câmera e o objetivo não é causar sustos gratuitos, como os atuais títulos do gênero costumam fazer. Assim, a produção consegue sustentar uma atmosfera de tensão que deixa o espectador na beira da poltrona.

    O ar antiquado se reafirma com uma trilha marcante, que flerta com os primórdios da música eletrônica. As peças são quase cafonas, mas funcionam para o conjunto de opções que o filme apresenta.

    Finalmente, há um rico subtexto em Corrente do Mal. Além da óbvia aproximação das doenças sexualmente transmissíveis com o funcionamento da maldição que assola a personagem principal, o roteiro resvala em outras questões delicadas que estão relacionadas à adolescência, como bullying, isolamento ou o uso de drogas. Tais tópicos são aludidos em detalhes de cena, que sinalizam para uma proposta narrativa ampla e madura.