cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    CRIAÇÃO

    Charles Darwin, formulador da teoria da seleção natural, merecia um filme melhor<br />
    Por Heitor Augusto
    18/03/2010

    Partindo do pressuposto de que a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin já foi mexida, remexida, manipulada e consolidada, o roteirista John Colee (Happy Feet) e o diretor Jon Amiel (O Núcleo - Missão ao Centro da Terra) resolveram fazer um filme que focasse o período anterior à publicação do livro A Origem das Espécies, em 1859.

    Criação tenta conciliar o Darwin cientista, um dos responsáveis por contestar o divino como condutor do mundo, e o pai de família que tenta superar a morte de sua filha mais querida, Annie (Martha West). Quando fala de ciência, o filme sabe olhar com a perspectiva histórica e colocar o quão transformadora foi a ideia de seleção natural.

    Mas quando a dupla resolve fazer um filme de amor, Criação fica bem chato. Porque Amiel tem a mão pesada e dirige como se estivesse domando um cavalo rebelde. Quando a história vai tomando um rumo natural e com mais fluidez, ele faz questão de chamar para a outra direção.

    Aí Jennifer Connelly, que interpreta a esposa Emma, encarna a mulher sofredora que renuncia às próprias convicções em prol do marido. Enquanto isso, ele passa pela jornada do herói que, após tormentos, supera os problemas pessoais para escrever o livro.

    Criação tem seus bons momentos. A montagem até os 20, 30 minutos é ágil e aproveita os ganchos. O filme também acerta quando localiza o homem em seu tempo histórico e a força de “matar Deus” em seu livro. E num ponto de vista mais amplo, ainda serve de metáfora sobre o uso do conhecimento e os obstáculos para chegar a ele. Porém, o autor de A Origem das Espécies merecia um filme melhor.