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    Sensível, Minari é um filme marcado pelo realismo poético e dificuldades dos imigrantes

    Longa indicado ao Oscar é autobiografia da infância do diretor Lee Isaac Chung
    Por Daniel Reininger
    20/04/2021 - Atualizado há 17 dias

    Indicado em seis categorias no Oscar 2021, Minari é um filme extremamente delicado sobre a vida de uma família de imigrantes coreanos no interior dos Estados Unidos. É uma produção autobiográfica sobre a infância do diretor Lee Isaac Chung na zona rural do Arkansas, mas, como toda história baseada em fatos, usa elementos ficcionais para apimentar e adicionar elementos dramáticos. O resultado é um filme marcado pelo realismo poético, capaz de lidar com questões da imigração e ainda criar algo íntimo e familiar, sempre interessante de ser contemplado.

    Na trama, uma família coreana vai para o Arkansas para começar uma vida nova como fazendeiros nos anos 80. David (Alan S. Kim) é um menino coreano-americano de sete anos, que tem dificuldade em se adaptar à nova vida depois que seu pai, Jacob (Steven Yeun), muda sua família da costa oeste para a zona rural. O menino só começa a se adaptar com a chegada de sua vó materna aos EUA. Enquanto a família luta para se adaptar ao novo local, Jacob, decidido a criar uma fazenda, arrisca suas finanças, seu casamento e até a própria família.

    A mudança tem um grande peso para a família Yi. Ao se mudar da cidade grande para a fazenda, a sensação de isolamento abala as estruturas de seus membros. Sem ninguém por perto por quilômetros, muito menos coreanos, eles se juntam à congregação local, onde são bem-vindos, mas tratados como exóticos. O racismo implícito em certas frases é marcante, mesmo que sem maldade dos personagens que as proferem.

    Em seu primeiro papel, o jovem Alan Kim captura de forma impressionante a impaciência de David com sua nova cidade natal e com sua animada avó, que não se encaixa em sua percepção de "vovó" americana tradicional. Ela prefere a luta livre a novelas e a veterana Youn Yuh-jung a interpreta com jeitão despreocupado, mas cuja afeição imediata por seu neto garante ótimos momentos. A indicação dela para o Oscar é extremamente reconfortante.

    Na verdade, todo o elenco está inspirado. Steven Yeun está ótimo e sua indicação ao Oscar 2021 é muito merecida. A família central é realista e nós realmente nos sentimos parte da vida deles. Apesar dos poucos coadjuvantes, o papel de Will Patton também é marcante. Religioso, o veterano de guerra Paul traz energia em suas interações com o centrado Jacob. Sua dinâmica na fazenda cria um contraste intrigante e ele é visto como fanático, claro estereótipo de um homem supersticioso norte-americano.

    A fotografia do filme trabalha para reforçar os sentimentos de frustração, perda e isolamento da família. Closes, tomadas interessantes de dentro da casa reforçam a frustração e descontentamento de cada um dos personagens. Enquanto, do lado de fora, vemos com tomadas amplas e claras como o ar livre faz bem a David e também a seu pai, Jacob. Luz e sombra, ângulos abertos e fechados usados no momento certo, garantem a ambientação da obra.

    Como um bom livro autobiográfico, que se desenrola aos poucos, Minari é uma forma de Lee Isaac Chung mostrar ao público algumas de suas memórias como uma criança de dois mundos, homenagear a luta de seus pais e relembrar sua avó. Com isso, o cineasta cria um drama fascinante sobre família e perseverança, repleto de sensibilidade e emoção.