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    'O Homem do Norte' é para quem ama cinema em todas as suas formas

    Filme do diretor de 'A Bruxa' e 'O Farol' é uma obra-prima
    Por Daniel Reininger
    10/05/2022 - Atualizado há 2 dias

    O Homem do Norte parece uma canção de Death Metal nórdico transformado em filme. E essa sensação se mantém do começo ao fim nessa obra-prima de Robert Eggers, aclamado diretor de A Bruxa e O Farol. Agora, baseado na tragédia que inspirou Hamlet, de  William Shakespeare, ele entrega uma intensa história visceral de vingança, repleta de imagens impactantes que mostram como era bárbara, sangrenta e brutal a vida das pessoas naquela época.

    O filme

    A história é simples. Depois de testemunhar seu pai, o rei Aurvandill War-Raven (Ethan Hawke), ser traído e assassinado por seu implacável tio Fjölnir (Claes Bang), o príncipe viking Amleth (Alexander Skarsgård) foge e encontra refúgio com outros povos nórdicos. O destino o faz retornar, muitos anos depois, disfarçado de escravo, para saciar sua sede de vingança e resgatar sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman).

    O filme se destaca pela atmosfera sombria criada por Eggers, que foca numa fotografia magnífica repleta de sombras profundas e chamas sinistras, evocando um lado assustador e sedutor ao mesmo tempo. A música, de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough, é absolutamente fundamental, alterando entre obras folclóricas que evocam guerreiros nobres voltando da guerra e percussões pesadas durante segmentos mais sombrios e espirituais, que causam impacto real no cinema, colocando o espectador para dentro dos rituais exibidos na tela.

    Atmosfera e sensações

    Embora as magníficas sequências oníricas façam desse filme algo único.  O longa se destaca quando o foco está nas sombras, música, linguagem corporal e sonhos, porém, perde um pouco de seu impacto quando o foco está nos diálogos, que servem uma função, mas perdem em emoção e impacto.

    Quando o adulto Amleth começa sua jornada de vingança, o filme acaba se enquadrando em uma narrativa mais padrão de drama Hollywoodiano. Isso não é necessariamente um um problema, especialmente porque o romance que ele introduz também apresenta uma inclinação mística com Anya Taylor-Joy interpretando Olga, uma companheira escrava cujas crenças no ocultismo combinam bem com o clima do filme, mas é importante apontar onde está a genialidade desse filme.

    Alguns desses momentos mais tradicionais do filme se desenrolam em tomadas longas e bem construídas, sempre capazes de prender a atenção do espectador. O curioso é que O Homem do Norte tem muita maldade se desenrolando fora da tela, especialmente por ser um conto de um “herói” é tão terrível quanto seus vilões. 

    É que muita da violência e sangue está apenas implícita, fora da tela e mostra só suficiente para chocar, sem demorar o suficiente para incomodar. Isso ajuda a deixar filme mais comercial, garantindo que mais pessoas possam viver a experiência desse filme magnífico, sem ter quer enfrentar a brutalidade desse mundo em sua totalidade.

    Cena tribal de 'O Homem do Norte'Reprodução

    Atuações

    É bom que as performances consigam refletir as ideias dessa obra mesmo quando deixa de aprofundar algumas questões, mas sempre evocam a dicotomia entre violência e paixão. Alexander Skarsgård domina o papel de Amleth e conseguimos ver ele genuinamente dividido entre seus planos de vingança e a paixão por Olga. 

    Bang entrega muito com sua atuação física, é de longe o mais silencioso e sedutor, mostrando um lado profundo de Fjölnir. Kidman domina as cenas mais mundanas, com alguns diálogos viscerais, enquanto ela explora seu lado cruel de forma deliciosamente perturbadora. 

    Cena de O Homem do NorteReprodução

    Assista

    O Homem do Norte se mantém imprevisível até o final, graças ao foco nos sonhos e questões espirituais. É uma tragédia capaz de arrebatar o espectador e o mergulhar em rituais ao som de tambores que evocam Valhalla, local para onde os guerreiros mais nobres e destemidos são levados pelas valquírias após a morte para viverem com o deus Odin.  

    A saga de vingança viking de Robert Eggers é uma obra pulsante, repleta de maldade, visões e intrigas, capaz de capturar a brutalidade de um passado selvagem. O longa é genial quando evoca sombras, espíritos e sonhos, mas funciona bem também quando conta uma história mais tradicional de vingança. É um filme imperdível, não só para quem acompanha séries como Vikings, gosta da temática e de horror, mas para qualquer um que goste de sentir toda experiência de ir ao cinema.

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