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    'Viúva Negra' faz jus ao legado da heroína e apresenta a substituta perfeita

    Longa traz despedida de Scarlett Johansson e chegada de Florence Pugh ao Universo Marvel
    Por Daniel Reininger
    30/06/2021 - Atualizado há 19 dias

    Finalmente Viúva Negra ganhou seu filme solo! O filme da Vingadora deveria ter saído anos atrás, logo após Guerra Civil, mas sua estreia, mesmo agora, é bem-vinda. Ainda mais por esse ser um filme de espionagem emocionante, pesado e bem fora do padrão da Marvel nos cinemas, capaz de adicionar uma profundidade trágica à história da heroína Natasha Romanoff.

    Da equipe principal dos Vingadores, o passado da Viúva Negra sempre foi o mais misterioso. Sabemos que ela foi uma assassina russa treinada, que traz uma grande culpa por seu passado. Com esse filme, a Marvel finalmente nos revela como tudo aconteceu e finalmente dá o espaço para a única mulher da equipe original dos Vingadores ser o centro das atenções.

    Ambientado entre Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, o longa conta um pouco o que Natasha fez quando a equipe precisou se separar e nos apresenta sua "família". Além disso, coloca a heroína de frente com seu passado, novamente com a missão de destruir a "Sala Vermelha", onde as Viúvas Negras são treinadas e condicionadas.

    Embora a Marvel não invente a roda aqui, esse é o filme mais diferente do estúdio. Ambicioso, é um thriller de espionagem e um drama familiar disfuncional ao mesmo tempo, com importante foco em como uma pessoa traumatizada pode se recuperar de abusos constantes.

    Nada disso parece um filme da Marvel, principalmente pelo tom mais sombrio usado para contar a história de um programa russo que sequestra garotas e as treina para se tornarem assassinas. O filme tem poucas piadas e é, de longe, o mais sério do estúdio, com tom melancólico por mostrar vida de tragédias da Natasha.

    Viúva Negra se beneficia da maior liberdade para contar histórias diferentes após Ultimato, exatamente como vimos em WandaVision e seu formato de sitcom e Loki, uma ficção científica complexa. Por isso, faz sentido Viúva Negra ser um filme com a pegada de James Bond ou Missão Impossível, com viagens por diversos locais do mundo, perseguições, e cenas de luta que parecem extremamente mortais. 

    Natasha não é uma super-humana e quando ela leva um soco, parece que dói. Quando ela luta com o Treinador, há uma sensação de perigo real, sem falar que é divertido reconhecer qual Vingador o vilão está imitando a cada momento. Tem hora que podemos ver Capitão América, Pantera Negra, etc. Isso é muito legal e funciona bem para a pegada filme de espionagem.

    O resultado é um filme realista e humano, enquanto ainda brinca com elementos clássicos dos super-heróis, como tecnologia futurista.

    Scarlet Johansson está perfeita, como sempre, no papel de Natasha, mas Florence Pugh quase rouba cena ao fazer um excelente trabalho como Yelena, outra Viúva Negra. Sua expressão impassível é perfeita. Também é incrível ver um filme desses cheios de mulheres fortes e Rachel Weisz completa o trio, com a atuação maravilhosa de sempre dessa grande atriz.

    Na verdade, as performances de David Harbor e Rachel Weisz como pais relutantes garantem a base de um drama surpreendentemente e tocante. Sem falar que a obsessão de Harbour por seus dias de auge na carreira de super-soldado soviético garantem algumas risadas e momentos de pena. 

    Com algumas pesadas de mão para garantir o empoderamento de suas personagens, o longa faz um bom trabalho ao tratar do tema de sobrevivência a traumas e abusos, mas se perde ao mostrar, novamente, que só o sofrimento duradouro transforma essas mulheres em heroínas. Já era hora da Marvel ter abordado as super-heroínas de outras formas, porque essa já deu.

    E enquanto a Viúva Negra é uma homenagem à Scarlett Johansson como Natasha Romanoff, também deixa ainda mais claro como Ultimato foi infeliz na hora de lidar com sua despedida. O sacrifício do Homem de Ferro foi homenageado com um grande memorial, Capitão América se aposentou e viveu feliz ao lado de Peggy Carter, mas Natasha Romanoff suportou anos de abuso, se sacrificou por um amigo e mal teve uma despedida digna naquele filme. Pelo menos esse longa tenta consertar isso. Talvez tarde demais.

    Viúva Negra mexe com a fórmula clássica dos super-heróis com um filme de espionagem muito maneiro, repleto de sequências de ação incríveis e viscerais. Como um thriller bem construído,  faz jus à grandeza de Natasha Romanoff de Scarlet Johansson.

    Dito isso, o longa tem problemas em encontrar um equilíbrio entre ação e drama familiar e reforça estereótipos ultrapassados das super-heroínas. No fim, é um filme realmente bom, que fecha bem o arco da Viúva, mas deveria ter sido lançado anos atrás.

    Agora é ver se sua substituta, Florence Pugh, como Yelena, continuará de forma digna esse legado. Tudo indica que ela será perfeita como a nova Viúva Negra no universo Marvel.