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    CRÔ

    Sucesso na novela, Crô decepciona no cinema
    Por Roberto Guerra
    26/11/2013

    Levaram Crô, personagem de sucesso vivido por Marcelo Serrado na novela Fina Estampa, para a telona. O próprio criador do tipo afetado e cheio de maneirismos, o novelista Aguinaldo Silva, assina o roteiro. Na direção está o experiente Bruno Barreto. O que poderia dar errado?

    -Congela!
    -Descongela!

    Aparentemente, tudo. A começar por bordões como o que acabei de usar que são repetidos exaustivamente ao longo do filme. O personagem, que já é caricato, transforma-se em algo irreal na tela, o suprassumo do exagero, uma espécie de boneca tresloucada a repetir citações pretensamente engraçadas, mas que na verdade soam irritantes.

    Artificiais, a bem da verdade, são todos os personagens. Nada é convincente, nada funciona. O que vemos - a certa altura um tanto constrangidos -são esforços dramáticos e cômicos resultarem em coisa alguma. A trama é um verdadeiro samba do crioulo doido que não se sustenta. Aquela distância entre a poltrona e o que se desenrola na tela não desaparece. Pelo contrário, se alonga como se estivéssemos vendo o filme com um binóculo invertido.

    -Congela!
    -Descongela!

     

    No filme, Crodoaldo, depois de herdar uma fortuna de sua ex-patroa falecida, está entediado com a vida nababesca de novo rico. Tenta ser cantor, estilista e cabeleireiro, mas fracassa em todas as aspirações. Depois de um sonho com sua mãe (Ivete Sangalo), descobre que seu destino é servir, ser mordomo.

    Ele inicia então um processo de seleção para encontrar uma candidata a patroa que se enquadre nos níveis desejados de sofisticação e malvadeza, o que desperta o interesse da aspirante à socialite Vanusa (Carolina Ferraz), que comanda ao lado do marido (Milhem Cortaz) uma confecção de roupas que escraviza imigrantes ilegais bolivianos.

    -Congela!
    -Descongela!

    A história serve para evidenciar ainda mais o amadorismo dos realizadores na condução de uma produção que deveria ser engraçada. Não se consegue extrair humor das vilezas praticadas pelo casal vivido por Carolina Ferraz e Milhem Cortaz. Para piorar, temos o drama de uma criança que tenta fugir da confecção onde é mantida escravizada. A graça não entra aqui. O roteiro de Silva tem a mecânica de uma novela, dividido em núcleos, o que naturalmente não funciona no cinema que precisa de unidade dramática mais coesa.

    -Congela!
    -Descongela!

    Já está de saco cheio desse "congela", "descongela?" Mil perdões, mas a ideia era prepará-lo psicologicamente para encarar Crô.