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    CYRUS

    Este ótimo filme tem pouco de comédia e muito de um grande drama romântico<br />
    Por Celso Sabadin
    04/11/2010

    Certa vez me perguntaram como reconhecer - exatamente - um “filme americano independente”. Correndo o risco de ser simplista, respondi: “É quando o filme é americano, mas parece francês”. Ou seja, geralmente trata-se de uma história humanista, que privilegia as relações entre as pessoas, com interpretações contidas e convincentes, sem efeitos especiais, nem explosões, nem perseguição de automóveis pelas ruas. Características que eliminam uns 90% dos filmes americanos “não independentes” que chegam aos nossos cinemas.

    Cyrus é assim: reconhecivelmente independente.

    Escrito e roteirizado pelos irmãos Jay e Mark Duplass, Cyrus aborda o amor entre um casal de meia idade. John (o sempre ótimo John C. Reilly, de Quase Irmãos) não consegue superar a depressão de um casamento já terminado há muito tempo. Até o momento em que conhece Molly (Marisa Tomei, de O Lutador) e ambos se apaixonam quase que instantaneamente. Mas se a história é sobre John e Molly, quem é Cyrus, que dá título ao filme? Cyrus (Jonah Hill, de Superbad) é o filho de Molly, um rapaz simpático, maduro, inteligente, que aceita com tranquilidade o novo amor de sua mãe… ou não? Tudo parece muito fácil…

    É sobre as dificuldades que se instalam nesta nova e repentina “família” que o filme se desenvolve.

    Dirigido com segurança e sensibilidade, Cyrus é o terceiro longa dos Duplass (os dois primeiros, The Puffy Chair e Baghead, de baixíssimos orçamentos, não chegaram aos nossos cinemas). A força e a sedução do filme se centram na coerente construção dos personagens, que, por sua vez, é respaldada em excelentes interpretações de todo o elenco. Incluindo a ótima Catherine Keener (de O Virgem de 40 Anos) num marcante papel coadjuvante.

    Tudo com muita paixão e credibilidade, que provocam no público uma forte empatia pelo adorável trio de protagonistas. Só não dá pra entender quem decidiu classificar Cyrus como “comédia”. Há, sim, momentos de bom humor, mas nada que justifique o rótulo de cômico para este envolvente drama romântico.