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    CLUBE DE COMPRAS DALLAS

    Longa tem protagonistas fortes e história impactante
    Por Daniel Reininger
    22/02/2014

    Nos últimos anos, Matthew McConaughey entregou grandes atuações em filmes como Killer Joe, Amor Bandido e mostrou que pode ir muito além das comédias românticas enlatadas do passado. Em Clube de Compras Dallas, acaba de vez com qualquer dúvida sobre sua capacidade artística no papel de Ron Woodroof, eletricista diagnosticado com HIV positivo que cria seu próprio tratamento contra a AIDS, mesmo que isso o coloque em choque com o governo norte-americano.

    A impressionante transformação física é apenas detalhe. A atuação de McConaughey vai além de estereótipos ao interpretar um texano homofóbico, mulherengo e manipulador que cria um mercado lucrativo e se transforma, aos poucos, na melhor esperança das vítimas da doença nos anos 80. Quando é diagnosticado, os médicos lhe dão apenas 30 dias de vida, mas como bom cowboy ele não desiste e parte para a luta, mesmo após seus amigos preconceituosos o abandonarem por considerarem a doença como algo restrito aos homossexuais.

    McConaughey não é o único que impressiona. Jared Leto, que também passou por mudanças dramáticas no visual, é responsável por momentos de leveza e emoção no papel do transexual Rayon, também vítima da doença e sócio de Ron. O relacionamento dos dois é o fio condutor da narrativa e Ray é o retrato de anos de luta contra uma doença que tirou a vida de milhões. O ator o representa de forma tão humana que é impossível não sentir sua dor enquanto ele se agarra à vida com todas as forças.

    Conforme a situação de ambos se deteriora e o tom dramático aumenta, os personagens mudam diante de nossos olhos, sem perderem a essência e com atuações complexas. Seus problemas não se resumem à doença e as dificuldades do tráfico dos remédios considerados ilegais na época. O governo americano não dá trégua e tenta acabar com o clube de compras financeira e legalmente, assim como médicos inescrupulosos ligados à indústria farmacêutica que fazem de tudo para desacreditá-los.

    O diretor Jean-Marc Vallée apresenta bem essa luta ao criar jogo de gato e rato entre Woodroof e o governo. O resultado é uma mistura de histórias de traficantes, intriga política e um toque de comédia com ritmo ágil, mais próximo de Prenda-me Se For Capaz do que dramas sobre lutas de minorias. A forma como o governo é pintado como grande vilão tira um pouco do realismo da obra, porém funciona para o estilo de narrativa escolhido pelo cineasta.

    Se, por um lado, a atitude do protagonista de mostrar o dedo do meio para as autoridades é divertida, por outro, o roteiro exagera na reafirmação de que ele é heterossexual. Toda chance de mostrá-lo com mulheres é aproveitada para deixar claro que a relação de Ron e Ray é apenas de amizade. Ainda assim, a trama mostra com detalhes a mudança de atitude de Woodroof em relação aos gays e a cena do supermercado é icônica.

    Apesar do orçamento relativamente baixo, Clube de Compras Dallas recria de forma convincente o período da epidemia de AIDS. Pesado, mas com momentos divertidos, o longa não facilita as coisas para o espectador, apenas confia na força de seus protagonistas e no apelo universal da história de Ron Woodroof, que nos lembra como os maiores desafios trazem à tona o melhor de cada um de nós.