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    DAWSON ILHA 10

    Mesmo esbarrando em clichês do gênero, filme é um importante manifesto político pró-liberdade<br />
    Por Celso Sabadin
    24/11/2011

    Por mais que o cinema pesquise, denuncie e divulgue novas facetas referentes às ditaduras militares que assolaram a América Latina nos anos 60 e 70, sempre novos enfoques vêm à tona, sempre novos vieses se apresentam ao público.

    Na coprodução Brasil/Chile Dawson Ilha 10, o premiado cineasta chileno Miguel Littín levanta o caso da Ilha Dawson, campo de prisioneiros que serviu aos interesses da ditadura de seu país. Não era, contudo, um campo de concentração igual à maioria dos demais: ali, foram presos os homens de confiança e ministros de Salvador Allende, presidente deposto pelo ditador Pinochet, em 1973. Era na Ilha Dawson que estes homens – importantes no regime democrático e execrados pela ditadura - perdiam sua identidade, seus cargos e até seus nomes, passando a ser tratados meramente como números. Em clima de total paradoxo, chilenos prendiam chilenos, irmãos torturavam irmãos.

    Submetidos a violentos interrogatórios e trabalhos forçados, estes presos políticos contavam, porém, com um pequeno fio de esperança poeticamente retratado no filme: a milimétrica expectativa que seus algozes pudessem se reconhecer humanos como eles, chilenos como eles. O que, por mais incrível que possa parecer, às vezes acontece.

    Ainda que esbarrando em vários clichês do gênero “filmes de campo de concentração”, Dawson Ilha 10 é um importante manifesto político pró-liberdade que consegue, em meio ao caos, proporcionar até momentos de ternura e – quem diria – humor.