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    DE CARA LIMPA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um filme moleque, cheio de boas intenções. Esta é a avaliação mais otimista que se pode fazer da produção brasileira De Cara Limpa. A idéia até que é boa: traçar um painel da realidade do jovem brasileiro urbano desta virada de milênio. Porém, entre uma boa idéia e um bom filme existe um enorme caminho. Caminho que - pena! - não foi percorrido pelo diretor Sergio Daniel Lerrer.

    Lerrer veio do Super-8 gaúcho. Fez curtas, chegou a co-produzir um longa em Super-8 (Deu Pra Ti Anos 70, uma iniciativa até certo ponto revolucionária) e em 1987 dirigiu seu primeiro longa, Quero Ser Feliz.
    Em De Cara Limpa, seu segundo longa, percebe-se que Lerrer não abandonou seu lado contraventor e experimental. O filme tem um sabor amadorístico que o diretor afirma ser proposital. Chega a parecer um trabalho de escola. Falado, claro, em português, De Cara Limpa também é legendado... e também em português. Conversando com o Cineclick, o diretor diz que há várias interpretações para o fato. "Desde uma crítica ao som das nossas salas de cinema, até a alteração do timming do filme, que fica mais ágil com as legendas. Legendado, ele causa menos adrenalina na orelha", afirma.

    Produzido em vídeo, De Cara Limpa narra as histórias de vários personagens adolescentes, com suas dúvidas e inseguranças típicas da idade. Há desde a "atriz e modelo" do interior que vai tentar a vida na capital (Bruna Thedy) até a esotérica da turma (Bárbara Paz), passando por um aspirante a ator (Vinícius Campos) e pelo "mauricinho" de plantão (Luciano Gastti). Também não falta o típico "libelu" de esquerda, vivido pelo VJ da MTV Marcos Mion.

    Infelizmente, porém, não é possível fazer um filme só de boas intenções. De Cara Limpa tropeça no despojamento quase total da produção e no humor escatológico, talvez inspirado nos irmão Farrelly.
    O elenco não é ruim. Cada um faz o que pode dentro de seu personagem-clichê (Vinicius Campos, por exemplo, pode ser uma boa promessa), mas o resultado final é decepcionante.

    Por outro lado, não há como negar que existe um lado saudável na iniciativa. Custando apenas 150 mil reais, o filme não teve a intenção nem a pretensão de se apoiar nas tradicionais fórmulas de sucesso. É alternativo por natureza, vai na contra mão da estética globalizada, e tenta, desta forma, encontrar novos caminhos para a viabilização do produto brasileiro. Neste aspecto, ponto pra ele.


    06 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br