cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    DE MENOR

    Enxuto na duração, mas sem nunca ficar na superfície
    Por Roberto Guerra
    02/09/2014

    Tempo em cinema á algo relativo. A sensação de que um filme é arrastado ou pressuroso demais tem mais a ver com sua execução do que com seu tempo real de duração. De Menor, primeiro longa de ficção da diretora paulistana Caru Alves de Souza, por exemplo, é temporalmente breve – enxutos 77 minutos de duração -, mas nem por isso corre apressado.

    De desenrolar suave e contemplativo, o filme acompanha a rotina da defensora pública Helena, interpretada por Rita Batata (Não Por Acaso). Idealista, ela defende menores infratores na Vara de Infância e Juventude de Santos. Em casa, tem uma relação carregada de afeto e dependência com o adolescente Caio (o estreante Giovanni Gallo), que a história revela mais adiante ser seu irmão – eles perderam os pais recentemente.

    O roteiro vai desvelando informações em doses homeopáticas. Nada é explicado demais e os diálogos, econômicos, tampouco servem de manual didático para clarificar a trama. O filme não subestima a inteligência do espectador e dá ele apenas o necessário para se envolver, com as cenas se alternando entre a casa de Helena e seu ambientre de trabalho, que divide com o promotor Paulo (Rui Ricardo Diaz) e o Juiz Carlos (Caco Ciocler).

    A dinâmica parcimoniosa funciona porque o alinhamento equilibrado entre roteiro, direção e montagem permitiu ao filme economizar em seu tempo de duração sem moderar na força dramática. Nada ganha explicações muito detalhadas, mas todas as informações para a compreensão e apreensão do enredo pelo público estão na tela.

    De Menor peca, no entanto, ao estabelecer seu conflito logo de cara e não oferecer posteriormente nenhum clímax ou reviravolta na trama, que segue previsível para seu desfecho. Lidando com adolescentes infratores em seu trabalho, Helena vê este mundo cruzar a fronteira entre o pessoal e profissional quando Caio sem envolve com a criminalidade.

    O que vem a seguir é uma sequência de acontecimentos evidentes envolvendo os trâmites legais que o jovem tem de atravessar enquanto Helena observa a tudo com certa resignação profissional. O roteiro cria um conflito de grande potencial dramático para depois abandoná-lo a seguir.

    Talvez propositadamente, a diretora transferiu para a execução de sua obra a impotência de toda uma sociedade diante da criminalidade adolescente no Brasil. O filme acaba, como estamos hoje, sem respostas.