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    DE REPENTE, CALIFÓRNIA

    Por Heitor Augusto
    05/06/2009

    A sensação de liberdade é um dos mais ricos sentimentos humanos. Andar e não precisar dar respostas, mirar o céu e encontrar um discreto sorriso nas nuvens. Pisar na areia e não se preocupar com os grãos tentando se alojar por entre os dedos. Pois bem, De Repente, Califórnia é o oposto disso. Dá até agonia em acompanhar o filme e ver que o personagem principal tem tudo isso à frente, mas não percebe.

    O filme fala da tradicional prisão invisível. Não há grades impedindo que Zach (Trevor Wright) dê vazão ao seu talento de desenhista, de bater a porta na cara da irmã egoísta, de largar a namorada da adolescência e assumir a homossexualidade. Só há uma coisa realmente sincera à qual Zach se permite, sem culpa: surfar. No mar, ele é o senhor, faz o que quer, olha para o horizonte e desafia uma onda. Tudo isso num clima cool, na linha what's up, bro? e distante de Dream of Californication.

    Apesar de os dramas se passarem boa parte na cabeça de Zach, suas dúvidas e paúras são verbalizadas. Diálogos, diálogos e mais diálogos. Jonah Markowitz, diretor e roteirista, não precisava falar tanto para defender a liberdade e condenar o gay recalcado. Isso com o intuito de contar uma história da maneira mais leve possível.

    O título original do filme é Shelter, "abrigo" em português, muito mais justo com o que o longa vem a dizer. Para sair dessa prisão, Zach só precisa de um pequeno empurrão, de conforto em meio a um iminente cenário de rejeição. Ele surge e tem nome: Shaun (Brad Rowe), um escritor rico que mora no paraíso (leia-se "Los Angeles") e retoma a amizade de infância ao voltar para a Costa do Pacífico em meio a um bloqueio criativo.

    A história de Markowitz dá diversas pistas sobre como esse encontro vai terminar e de que maneira Zach vai passar pelo processo de autoaceitação. Sem muitos segredos e com iluminadas passagens com garotos bonitos surfando, De Repente, Califórnia nos faz lembrar uma coisa: como é bom ser livre e viver sem culpa, qualquer seja a razão que deixe a consciência penosa.