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    DEIXA ELA ENTRAR

    De simples este belo filme sueco não tem nada
    Por Sérgio Alpendre
    01/10/2009

    A primeira surpresa que temos ao ver Deixa Ela Entrar é o cuidado com que o diretor constrói os planos. Não há espaço para a câmera na mão, chacoalhando como doida, como é freqüente no cinema atual, em especial no cinema de horror. Em um belo cinemascope, vemos uma sucessão de enquadramentos muito bem pensados, elegantes, sem que haja uma sensação de frieza que sempre ameaça aparecer nesses casos de zelo estético em excesso. Tudo é na medida certa.

    A segunda boa surpresa é que o filme não apela para os sustos em momento algum. Até existem situações em que a ação é rápida e podem surpreender o espectador, mas não há um trabalho direcionado para que ele se assuste. Não há a estocada musical, a câmera rápida e mesmo os momentos mais fortes são antecipados, ou mostrados aos poucos, como na cena em que a vampirinha suga o sangue de Oskar, que pinga no chão.

    Sim, é uma história de vampiros. Mais especificamente de uma vampira de doze anos. A pré-adolescência eterna é sua sina. Com seu charme, acumula amores com o passar dos anos. O mais antigo tem de dar lugar ao mais novo, que, obviamente, envelhecerá, dando lugar a um outro. Não há tragédia maior no amor do que só um dos lados envelhecer e isso o diretor soube passar de uma maneira muito bonita.

    Deixa Ela Entrar, com esse nome em português que utiliza do imperativo como forma de se declarar, logo de cara, do lado do que normalmente seria o "mal", é um dos grandes filmes de terror dos últimos tempos. Mas talvez seja mais um filme de amor mesmo. E pode nos levar às lágrimas, desde que não encaremos com o distanciamento cauteloso em excesso, temerosos por uma entrega a um simples horror sanguinolento. Não se enganem, de simples este belo filme sueco não tem nada. Pelo contrário. Fala de coisas universais se apoiando inteligentemente em certas normas do cinema de gênero, mas as enriquece, tornando-se um possível divisor de águas.