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    DETONA RALPH

    Animeação deixa de lado as famosas adaptações de títulos consagrados e faz uma homenagem aos <em>games</em>.<br />
    Por Daniel Reininger
    02/01/2013

    Cinema e videogame parecem fadados a seguirem caminhos separados. Depois de tantos fracassos, ninguém mais encara com seriedade quando algum estúdio anuncia que vai levar jogos de sucesso à telona. Só que a Disney encontrou uma bela solução para o problema: deixou de lado as famosas adaptações de títulos consagrados e decidiu, ao invés disso, fazer uma homenagem aos jogos eletrônicos em Detona Ralph. O resultado é uma das melhores uniões entre games e filmes já criada.

    A animação é uma carta de amor aos videogames, com referências a todas as épocas, desde o Atari até os jogos mais modernos como Halo ou Gears of Wars. Na trama, Ralph é o vilão do game Conserta Felix Jr. há 30 anos, entretanto ele cansou dessa vida e decidiu tornar-se um herói. Durante a noite do aniversário do game, o vilão enche a cara no bar (cenário do jogo Tapper), reclama da vida e faz planos para mudanças. Quando menos espera, aparece a oportunidade de tomar o lugar de um personagem do fliperama de guerra Hero's Duty. É o inicio de uma jornada épica – ou quase isso.

    Embora o filme seja extremamente carismático para adultos e crianças e tenha um ótimo começo, o enredo principal, aos poucos, se mostra simples demais e o roteiro se perde em subtramas forçadas e ideias mal desenvolvidas. Se melhor trabalhados, poderiam dar a espaço a uma jornada mais interessante, o que tornaria a produção muito mais divertida.

    O longa tem ótimas sequências de ação, mas a melhor cena de Detona Ralph é, de longe, a reunião dos vilões anônimos com Bowser, de Mario; Doctor Robtnik. de Sonic; Neff. de Altered Beast; e Zangief, de Street Fighter - risadas são arrancadas até daqueles que não conhecem todos os personagens.

    Claro que as participações especiais não param por aí, afinal, os personagens dos jogos se cruzam o tempo todo na estação central, um filtro de linha de eletricidade que liga todas as máquinas (ótima sacada). Temos ainda Sonic, Chun-Li, Ryu, Ken, Pac-Man, Frogger, Kano e Noob de Mortal Kombat. Até a galera de Q*Bert aparece, como mendigos depois de seu jogo ser aposentado.

    O "lado fofo", algo praticamente obrigatório para uma obra da Disney, também está garantido com a garotinha Vanellope von Schweetz, um bug que pretende fazer parte dos corredores principais do game Sugar Rush. A menina é irritante, mas tem um jeito sacana e engraçado, quase como se a Boo de Monstros S.A tivesse crescido nas ruas cheia das manhas. Assim como Ralph , a garotinha vive à margem da sociedade e ambos se unem na luta por aceitação contra o Rei Doce, principal antagonista do longa.

    A dublagem brasileira foi bem feita e tomou cuidado para respeitar alguns termos conhecidos dos gamers, enquanto outros ainda soam estranhos em português. A trilha sonora é ótima, com clássicos dos jogos e novos arranjos, além do visual impecável. A maneira como personagens de games antigos se movem com lag enquanto os dos mais novos tem movimento fluído é outra grande sacada.

    Embora tenha perdido a oportunidade de ser mais criativo e ousado, Detona Ralph é uma bela animação, um dos destaques do ano, capaz de levar os fãs de jogos eletrônicos a uma viagem nostálgica e ainda divertir todos os públicos. Até o 3D é interessante e vale a pena pagar um pouco mais caro pelo ingresso.