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    DEZESSEIS LUAS

    Longa adolescente aborda temas interessantes mas se perde ao tentar unir estilos diversos<br /><br /><br />
    Por Cristina Tavelin
    26/02/2013

    Uma mistura de fantasia, romance e temas efervescentes na adolescência. A franquia que deixou milhões de fãs órfãos tinha a mesma fórmula. Entretanto, quem espera encontrar em Dezesseis Luas trama parecida com a Saga Crepúsculo, pode se decepcionar. A reminiscência, pelo menos em termos de marketing, é óbvia. Porém, o enredo com humor inteligente e diversas citações literárias o elevam - discretamente - a outro patamar.

    Assim como a série de filmes sobre vampiros, este longa baseia-se em uma obra escrita, o Beautiful Creatures. Na trama, Ethan Wate (Alden Ehrenreich) vive entediado no vilarejo de Gatlin, onde a entrada de livros e ideias subversivas é controlada. Quando a estranha Lena Duchanes (Alice Englert) chega à cidade acompanhada por seu tio Macon (Jeremy Irons), o jovem se interessa imediatamente por ela.

    O problema básico do filme está em não conseguir unir os diferentes estilos propostos. Quando a estória tem foco sobre os anseios de Ethan, ganha um ar hipster, explorado na sua vontade de ir embora pela única estrada possível ou na trilha sonora com Bob Dylan. Quando o foco está sobre Lena, o filme muda para um tom fantástico. A garota pertence a um clã dito satanista e precisa escolher entre seguir o caminho da luz ou das trevas ao completar 16 anos -, maldição familiar passada de geração em geração que pode atrapalhar o relacionamento dos dois.

    Ehrenreich, em cujo currículo já consta Tetro, de Francis Ford Coppola, desenvolve uma boa atuação. O desempenho da novata Alice Englert, filha da diretora Jane Campion (O Piano), deixa a desejar por conta da pouca expressividade da jovem atriz. Já os coadjuvantes interpretam de forma exagerada e caricata, com Emmy Rossum (O Fantasma da Ópera) na pele da gótica Ridley.

    Em meio a uma aparente indecisão visual da produção, o casal se conecta por meio de referências literárias de peso. Quem diria que um filme para “jovens adultos” mostraria a literatura como algo libertário, destacando nomes como Charles Bukowski (Misto Quente)? Em uma cena muito bem pensada, Macon deseja conhecer Ethan e o convida para entrar em sua misteriosa casa. Quando pergunta ao jovem casal se eles gostariam de ouvi-lo tocando piano, Lena rebate: “Não estamos em um romance de Jane Austen (Orgulho e Preconceito)”.

    Esse humor se destaca em outra passagem, desta vez dentro do cinema, onde a ex-namorada de Ethan vocifera: “Nem os filhos de satã aguentam continuações”. Uma sátira ao próprio filme, que deve ter várias sequências, seguindo o compasso da série de livros.

    Simbolicamente, Dezesseis Luas tem vários aspectos interessantes. Lena precisa reviver a história de seus antepassados para conseguir traçar um caminho próprio e enfrenta o paradoxo do bem e do mal tentando integrar os dois lados a sua personalidade. Além disso, o sacrifício da personagem em determinado momento, seguido do sermão explicativo de um padre, chega a ser comovente. Por incrível que pareça, o foco não está no amor romântico a qualquer custo, mas na aceitação de determinados fatores e consequências da vida.

    Como obra cinematográfica, o longa não ultrapassa um nível regular. Mas pelo viés dos argumentos, leva a uma reflexão mais profunda sobre conflitos que permeiam o universo adolescente, exemplificados de forma mítica. Uma boa opção se comparado a outras produções do gênero, que reduzem mitos sobrenaturais à mera estética.