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    DIA DE TREINAMENTO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Bastante próximo e conhecido dos brasileiros, o tema da corrupção policial ganha uma vigorosa produção norte-americana: Dia de Treinamento, drama escrito por David Ayer, aqui em seu primeiro roteiro “solo” para o cinema (ele já havia co-escrito U-571 e Velozes e Furiosos).

    Como o título do filme já adianta, tudo se passa num único dia em que o policial veterano Alonzo analisará se o novato Jake tem ou não capacidade para se engajar na divisão de narcóticos da polícia. Todo o treinamento será feito não numa sala de aula nem numa repartição policial, mas sim diretamente nas violentas ruas de Los Angeles. Em poucas horas, o jovem Jake vai perceber que ele está nas mãos de uma personalidade perigosa, perturbada e polêmica.

    Apesar de retratar a realidade de um país distante do nosso, é impossível deixar de relacionar Dia de Treinamento com o atual momento brasileiro. A corrupção corre solta, a violência é a linguagem mais poderosa das ruas e a criminalidade parece ter atingido proporções totalmente desmesuradas. Se nas favelas cariocas a presença da polícia é anunciada por fogos de artifício, nos bairros barra-pesada de Los Angeles os criminosos soltam pombos para alertar seus colegas. As diferenças são sutis. “Somos a polícia: nós podemos tudo” é um dos lemas de Alonzo.

    O diretor Antoine Fuqua, especializado em videoclipes de músicos negros, utiliza grandes closes e muita câmera na mão para dar um tom mais realista ao seu filme. Quase documental. O estilo de Fuqua praticamente coloca o espectador no banco traseiro do carro de Alonzo e Jake, fazendo-o participar vividamente da ação. Suja e escura, a fotografia é coerente com o tema. O resultado é envolvente.

    Com as devidas ressalvas moralistas – afinal, é um filme hollywoodiano –, Dia de Treinamento veicula a lógica toda própria de Alonzo: “Para proteger o carneiro é necessário vigiar o lobo. E para isso é preciso ser igual ao próprio lobo”, ensina o corrupto. A verdadeira lei - ou pelo menos o que se espera dela - não tem lugar no filme. Não há mocinhos contra bandidos. E se algum criminoso for punido, ele o será pelas mãos de seus iguais, nunca pela chamada autoridade constituída. Dia de Treinamento deixa no ar a terrível sensação de que, quando o assunto é justiça, cada um cuide de si.

    Denzel Washington e Ethan Hawke concorrem respectivamente aos prêmios Oscar de Ator e Ator Coadjuvante por este filme.

    11 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br